Presidente da 63ª sessão da Assembléia Geral pede democratização da ONU

Nações Unidas, 16 set (EFE) - O novo presidente da Assembléia Geral da ONU, o ex-chanceler nicaragüense Miguel DEscoto, abriu hoje a 63ª sessão com um apelo radical para democratizar as Nações Unidas para que o organismo lute contra o atual sistema econômico e político mundial.

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D'Escoto começou em seu novo cargo com um discurso no qual colocou uma ambiciosa agenda de reformas para diminuir o peso do Conselho de Segurança e ampliar a influência dos países em desenvolvimento nas instituições financeiras internacionais.

"O objetivo central e integral da 63ª sessão será a democratização das Nações Unidas", afirmou ele, após declarar aberto o novo período de sessões.

O ex-chanceler, que também é sacerdote da ordem de Maryknoll, traçou um panorama sombrio da situação política e econômica de um mundo dominado "pela lógica do egoísmo".

"Caso não se corrija, esta lógica somente pode nos levar à morte e à extinção da espécie, por isso esta perversa lógica do egoísmo deve ser substituída pela lógica do amor", destacou.

D'Escoto afirmou que "a falta de democracia" na ONU é uma das "causas profundas" de "problemas urgentes" como a fome, a pobreza, a violência e a desigualdade.

Por isso, anunciou a convocação "inadiável" de uma próxima reunião de alto nível de três sessões de cinco dias na qual será analisado o funcionamento da ONU e de entidades criadas sob seu guarda-chuva, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM).

A primeira das três sessões será para coordenar as atividades destas entidades financeiras com o Conselho Econômico e Social (Ecosoc) da ONU.

D'Escoto considerou que as chamadas instituições de Bretton Woods, criadas pela ONU após a Segunda Guerra Mundial, são controladas por Estados Unidos e Europa, que as transformaram em "instrumentos de dominação" que "impõem más receitas econômicas que agravam o problema da pobreza".

As outras duas sessões seriam dedicadas à revitalização da própria Assembléia e a uma "franca discussão" sobre o Conselho de Segurança, a alguns de cujos membros acusou de ser "viciados em guerra".

Ele se mostrou a favor de que as resoluções da Assembléia tenham caráter "vinculativo", em vez de ser recomendações, uma mudança que tradicionalmente obteve consenso entre os seus membros.

"Estou consciente de que, dizendo isto, estou tocando em um ninho de vespas, mas até as vespas podem ser enfrentadas caso tomem precauções", disse D'Escoto, de 75 anos e que foi escolhido em julho para presidir a 63ª sessão anual do órgão legislativo da ONU.

Em seu discurso, ele criticou várias vezes os EUA, país no qual nasceu em 1933, e contra cujo Governo entrou em conflito quando esteve à frente da diplomacia da Nicarágua nos anos 1980.

D'Escoto citou a anual condenação da Assembléia do embargo americano a Cuba como um exemplo de como o país ignora suas resoluções e criticou "as guerras de agressão" para supostamente instaurar democracias, em uma clara referência à invasão do Iraque.

Ele afirmou que, em alguns dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França), "o poder do veto subiu à cabeça e lhes fez crer que têm o direito de fazer o que quiser".

O embaixador da África do Sul perante a ONU, Dumisani Kumalo, cujo país ocupa hoje um dos assentos não-permanentes na Assembléia Geral, elogiou as propostas do novo presidente.

"É muito bom, muito emocionante, nos encontrarmos perante uma nova Assembléia Geral", disse o diplomata.

Já a embaixadora adjunta do Reino Unido perante a ONU, Karen Pierce, afirmou que seu país concorda com a necessidade de reformar o funcionamento dos organismos multilaterais, mas não da maneira colocada por D'Escoto.

Pierce se disse contra a possibilidade de as resoluções da Assembléia serem vinculativas, mas concordou com a necessidade de reformar o Conselho de Segurança e previu que "se ampliará".

D'Escoto reconheceu em entrevista coletiva após a reunião da Assembléia que seus objetivos são muito ambiciosos para realizá-los no ano que dura cada sessão da ONU. EFE jju/rb/db

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