Presidente colombiano qualifica Farc de grupo cínico e assassino

BOGOTÁ (Reuters) - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) são um grupo assassino, mentiroso e cínico que pretende justificar seus crimes com discursos doutorais, disse nesta quarta-feira o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, ao reagir a um comunicado da guerrilha que admitiu o assassinato de um governador. As Farc admitiram o assassinato do governador do departamento de Caquetá, Luis Francisco Cuéllar, classificaram-no de feito indesejado e explicaram que, com o sequestro, buscavam submetê-lo a um julgamento político por supostos delitos de sua administração.

Reuters |

As Farc acusaram o político de vínculos com esquadrões paramilitares de ultradireita, asseguraram que o sequestro não tinha motivações econômicas e responsabilizaram o desenlace fatal a Uribe por ordenar o resgate com uma perseguição militar.

"Esse grupo narcoterrorista das Farc é assassino e mentiroso. E é cínico. Derrama sangue e em seguida escreve comunicados doutorais. Derrama sangue e mente. Mas não estranhamos. Eles sempre mentiram", disse Uribe a uma rádio local do sul do país.

O assassinato do mandatário regional, degolado pelos rebeldes horas depois de seu sequestro na cidade de Florencia, capital de Caquetá, em 21 de dezembro, foi considerado o crime mais aleivoso das Farc no governo de Uribe.

O sequestro e assassinato foram qualificados por analistas como um golpe à política de segurança de Uribe e uma demonstração de poder da guerrilha, uma vez que foram cometidos numa das zonas com maior presença de efetivos das Forças Armadas e onde se concentra a ofensiva militar contra os rebeldes.

O mandatário reiterou sua decisão de acabar com a guerrilha, o narcotráfico e com outros grupos armados ilegais responsáveis pela violência que afeta o país de mais de 44 milhões de habitantes, exportador de petróleo, carvão, café e flores.

"Por isso, esses bandidos, todos, e esses grupos terroristas do narcotráfico, todos, a todos temos de pôr fim para que o país possa viver em paz", disse Uribe, que conduz uma ofensiva militar contra a guerrilha com o apoio dos Estados Unidos.

Uribe criticou os colombianos que, da Europa, defendem as ações criminosas das Farc, escrevendo comunicados divulgados pela Internet.

"Esses indivíduos que escrevem esses comunicados das Farc por lá em alguns países europeus e que escrevem essas páginas na Internet das Farc, esses são criminosos de colarinho branco, sicários de colarinho branco", afirmou.

Ele também se referiu à recente aparição de um documentário no qual a guerrilha se apresenta para o mundo como um movimento de camponeses dedicados a cultivar a terra e que usam as armas para se defender.

"Agora querem se passar por camponeses, trabalhadores. Eles nem sequer cultivam a coca; o que fazem é explorar os camponeses pondo os camponeses a semear a coca e eles ganham o dinheiro da coca. É isso que fazem as Farc, agora esses verdugos do povo colombiano querem posar de camponeses", concluiu.

O grupo rebelde é acusado de obter receitas milionárias com a produção e o tráfico de cocaína em regiões de floresta.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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