Presidente colombiano obstrui a Justiça, diz ONG

Por Hugh Bronstein BOGOTÁ (Reuters) - O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, ameaça sabotar as investigações sobre a suposta ligação entre aliados políticos seus e grupos paramilitares de direita, disse na quinta-feira uma entidade de direitos humanos.

Reuters |

A Suprema Corte investiga mais de 60 parlamentares, a maioria da coalizão governista, sob suspeita de usar paramilitares para coagir eleitores.

Enquanto o tribunal investiga os políticos, inclusive o ex-senador Mario Uribe, primo do presidente, Álvaro Uribe propôs caçar os poderes da corte para realizar as investigações, alegando que ela tem um viés esquerdista.

"As instituições de Justiça da Colômbia fizeram um enorme progresso na investigação dos paramilitares e de seus amigos poderosos", disse José Miguel Vivanco, diretor da entidade Human Rights Watch, numa entrevista coletiva em Bogotá.

"Mas o governo Uribe continua tomando medidas que podem sabotar essas investigações", acrescentou.

O governo rejeitou o relatório da HRW e negou qualquer interferência no Judiciário.

Os paramilitares surgiram na década de 1980, patrocinados por latifundiários que sofriam ataques de rebeldes esquerdistas. Esses grupos cresceram praticando sequestros, extorsões, assassinatos e narcotráfico.

Sob o governo de Uribe, 30 mil paramilitares entregaram suas armas, e os principais líderes foram extraditados para os

EUA.

"As extradições são positivas por terem quebrado as cadeias de comando e terem aumentado a probabilidade de que os comandantes cumpram longas penas de prisão por seus crimes envolvendo drogas, mas podem se provar fatais para a obtenção de justiça por outras atrocidades", disse Vivanco.

Uribe é extremamente popular por ter enfraquecido militarmente as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e reduzido a criminalidade no país, com apoio dos EUA. Seus seguidores defendem uma mudança na Constituição para lhe permitir disputar um terceiro mandato consecutivo.

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