Presidente chinês vai à Cúpula do G20 sem antecipar receitas contra a crise

Paloma Caballero. Pequim, 14 nov (EFE).- O presidente da China, Hu Jintao, comparece à Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) para buscar uma solução à crise financeira global, sem ter antecipado quais iniciativas serão propostas por seu país, que possui quase US$ 2 trilhões em reservas, a maioria em bônus do Tesouro dos Estados Unidos.

EFE |

Na noite do último domingo, e sem aviso prévio, o Conselho de Estado (Executivo) anunciou que Pequim gastará US$ 586 bilhões até o fim de 2010 para impulsionar o consumo interno. A maior parte desse montante seria aplicada em infra-estruturas, no incentivo a novos investimentos e em forma de ajuda à quarta maior economia do mundo.

A injeção de dinheiro no mercado interno não significa que Hu levará a Washington, palco da Cúpula do G20, pouco mais que um apoio a um eventual acordo para negociar a reformulação das instituições financeiras internacionais.

A China, tradicionalmente prudente em reuniões com estrangeiros, apesar de sua ascensão como potência, não anunciou se acrescentará a partir de amanhã detalhes concretos a seu compromisso teórico de apoiar uma profunda reforma das regras financeiras internacionais para que a economia real não se veja comprometida pela virtual.

Enquanto a União Européia (UE) busca resultados para reformar o sistema financeiro em 100 dias, como disse o presidente francês Nicolas Sarkozy - cujo país detém a Presidência do bloco europeu neste semestre -, o certo é que Hu realizará em Washington o maior número de reuniões bilaterais possível, inclusive com o governante eleito americano, Barack Obama.

A China está preocupada porque a crise provocou queda na demanda por seus produtos, apesar de registrar superávit até setembro em grande parte devido ao fato de controlar a moeda local, sem deixá-la flutuante.

O temor de Pequim aumenta frente a eventuais medidas protecionistas que possam ser adotadas por Obama para equilibrar a balança comercial dos EUA, como no caso do apoio anunciado às montadoras de automóveis.

Para a cúpula deste fim de semana, os países desenvolvidos parecem esperar um gesto que ajude o Fundo Monetário Internacional (FMI) a amparar economias e moedas dos países mais atingidos pela crise.

A importância da relação entre EUA e China já ficou provada quando o presidente americano, George W. Bush, comunicou Hu da injeção de US$ 700 bilhões no sistema financeiro americano. O líder chinês o cumprimentou pela iniciativa, segundo órgãos oficiais de imprensa.

A queda na demanda por produtos chineses já provocou reduções significativas na produção de aço, deixou dezenas de milhares de desempregados e oferece uma estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) local de até 9% para 2009, frente a dois dígitos registrados nos anos anteriores.

Mas o pragmatismo da China pode levar a crer que o país é o que possui maior desenvolvimento no mundo e que são as nações mais industrializadas as que devem regular uma crise como a da mudança climática.

Ao abrir na última semana uma reunião sobre mudança climática e transferência de tecnologia em Pequim, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse claramente que são os países ricos que devem mudar seu estilo de vida e ajudar os demais com 1% de seu PIB.

A China prefere não fixar metas de corte de emissões de gases poluentes e insiste em afirmar que sua produção atual é muito baixa em relação ao número de habitantes.

Wen afirmou que a China assumirá um papel "ativo e discutirá medidas para enfrentar a crise financeira de forma conjunta e pragmática".

Em visita a São Paulo no último fim de semana, o governador do Banco Popular da China (banco central) disse, por sua vez, que cooperará para lutar contra a recessão, ao preparar propostas a serem levadas ao G20. EFE pc/fr/mh

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