O presidente chinês, Hu Jintao, iniciou nesta segunda-feira uma visita a Cuba com parte de sua viagem por países da América Latina. O governo chinês já é o segundo parceiro comercial da região, pois no ano passado o comércio bilateral totalizou mais de US$ 104 bilhões.

Esta é a segunda parada na viagem de Hu Jintao depois de participar, em Washington, da reunião do G20. Antes de visitar Cuba, o presidente chinês esteve na Costa Rica.

Depois de Cuba, Hu Jintao deve ir até o Peru para fechar acordos de comércio e investimento e também para propagar a política chinesa, além de tentar diminuir a influência de Taiwan na região.

Cooperação e investimentos
As relações entre China e Cuba cresceram desde que, em 2004, o próprio Hu Jintao firmou, em Havana, 16 acordos de cooperação e investimentos, em níquel, petróleo, turismo, transporte, biotecnologia, telecomunicações e portos, entre outros.

Entre os acordos mais importantes fechados entre os dois países está o financiamento de uma planta de aço e níquel com uma produção que gira em torno das 22,5 mil toneladas. Outro setor importante para os investimentos chineses é o de exploração de petróleo na costa cubana.

A China se transformou no segundo parceiro comercial da ilha com um intercâmbio de US$ 2,27 bilhões por ano - metade desse valor corresponde a exportações cubanas, que em 2007 cresceram mais de 100%.

Cuba montou dois hospitais oftalmológicos nas províncias de Qinghai e Henan e mais um deve ser construído em Shanxi, que deve começar a funcionar no primeiro trimestre de 2009.

Transporte
Para o governo cubano as relações com a China não significaram apenas alívio econômico, mas ajudaram também a solucionar um dos piores problemas do país nos anos 90, o transporte público.

Milhares de ônibus chineses chegaram à ilha e foram colocados em circulação imediatamente, uma parte para reavivar o quase desaparecido transporte entre as províncias e outra para Havana.

As relações militares também se intensificaram. Em maio de 2007, Raúl Castro recebeu em Havana o ministro da Defesa chinês, coronel-general Cao Gangchuan, além de outras delegações militares chinesas.

Mas, no terreno político, os países continuam diferentes.

A ruptura política entre China e Cuba remonta aos anos 60: Fidel Castro apoiou a União Soviética quando os soviéticos romperam relações com a China e, durante as décadas seguintes, estiveram em arena políticas opostas.

Fidel Castro chegou a afirmar que os problemas da China "são, em parte, conseqüência de haver confundido marxismo-leninismo com o fascismo, com o absolutismo; são conseqüências de ter introduzido nas revoluções socialistas contemporâneas o estilo das monarquias absolutas".

Só na economia
No presente, com o fim da União Soviética e a ressurreição econômica da China, as relações entre os dois países foram retomadas, mas tudo indica que elas ocorrem em um terreno fundamentalmente econômico.

Os modelos de socialismo aplicados nos dois países são nitidamente diferentes. A China abriu sua economia para o mercado e Cuba mantém sob controle estatal até dos ambulantes que vendem refrigerantes nas ruas.

Com a chegada de Raúl Castro ao governo, esperava-se que Cuba caminhasse em direção a uma economia mais aberta. Nos primeiros meses no poder, o irmão de Fidel tomou medidas para liberalizar a economia - mas elas agora parecem paralisadas.

De qualquer forma, os dois países precisam um do outro. Para Cuba, a China representa um mercado gigantesco, no qual pode vender e comprar. Para a China, a relação com Cuba garante a participação em algumas das reservas de níquel e ferro mais importantes do mundo.

E os dois países estão alheios à influência do governo americano. Cuba é o único país da região no qual a China não enfrentará a competição americana e o governo cubano tem certeza de que Pequim não vai ceder às pressões americanas.

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