Presidente chinês chega aos EUA para visita oficial

Visita oficial de quatro dias de Hu Jintao ocorre após ano marcado por tensões entre as duas potências mundiais

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Presidente chinês, Hu Jintao (à esq.), é visto ao lado do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, ao desembarcar na Base da Força Aérea de Andrews em Maryland, EUA
O presidente da China, Hu Jintao, aterrissou nesta terça-feira em Washington para uma visita oficial de quatro dias, durante a qual deverá ser recebido pelo presidente americano, Barack Obama, após um ano marcado por fortes tensões entre as duas potências no plano econômico, na questão de direitos humanos e em temas geopolíticos.

Hu será recebido pelo presidente Obama na Casa Branca para um raro jantar privado antes de iniciar a visita oficial propriamente dita. O presidente chinês receberá na quarta-feira honras militares, antes de uma nova conversa com Obama no Salão Oval, participando em seguida de um jantar de Estado - o terceiro concedido por Obama a um presidente estrangeiro em dois anos de presidência.

A presença de Hu pode representar o início de uma virada nas relações entre as duas potências - será sua última visita aos Estados Unidos antes de começar uma transição política na China, que chegará ao auge com a eleição de um novo líder, em 2013.

A Casa Branca planejou a visita minuciosamente sem se esquivar das áreas de divergência, mas ao mesmo tempo disposta a apontar um horizonte de possibilidades para ambas as potências.

Na semana passada, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou querer a ajuda da China para ajudá-la a moderar a beligerância da Coreia do Norte. Graduados funcionários do Conselho de Segurança Nacional indicam que a pressão sobre Pequim pode estar começando a trazer resultados.

Hillary abordou abertamente na semana passada o debate sobre se a China é um país aliado, um inimigo, um parceiro ou um competidor estratégico para seu país. "Ambos temos muito mais a ganhar com a cooperação do que com o conflito", disse.

Os direitos humanos seguirão, no entanto, como um dos eixos da diplomacia americana, reiterou Hillary - uma declaração que deve voltar a irritar os altos dirigentes chineses, que consideram isso uma violação de sua soberania.

O assunto é especialmente delicado porque o sucessor de Obama como Prêmio Nobel da Paz, o chinês Liu Xiaobo, a quem foi concedida a premiação no ano passado, está preso por ter exigido reformas democráticas.

Washington criticou energicamente a detenção de Liu e elogiou o comitê do Nobel pelo prêmio, o que motivou uma furiosa reação de Pequim. A China também tem em sua agenda de contas pendentes a visita do líder espiritual tibetano, o dalai-lama, a Washington, ano passado.

Entre ambos os países há também razões para otimismo, como a decisão chinesa de flexibilizar a cotação do iuane. Mas Hu também criticou o Federal Reserve (Banco Central americano) por inundar a economia com US$ 600 bilhões de liquidez depois da crise, segundo artigo reproduzido pelos jornais Wall Street Journal e Washington Post.

"A política monetária dos Estados Unidos tem grande impacto mundial e no fluxo de capital, pelo que a liquidez do dólar americano deveria ser mantido num nível estável e razoável", disse Hu.

Washington contra-atacou com o argumento de que a China manteve seu iuane durante anos a um nível artificialmente baixo para estimular a própria economia, o que prejudicou as exportações americanas e, também, a criação de empregos.

Além das diferenças econômicas e em matéria de direitos humanos, Estados Unidos e China devem chegar a um acordo sobre a proteção da propriedade intelectual e em temas militares. O secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, viajou à China semana passada, mas foi recebido com o voo do primeiro bombardeiro furtivo chinês.

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