Presidente boliviano enfrentará confirmação de mandato em agosto

LA PAZ (Reuters) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, e os governadores de Departamento que fazem oposição ao governo vão enfrentar um referendo para confirmação de mandato no dia 10 de agosto, afirmou Morales nesta segunda-feira, após transformar em lei os planos sobre a realização da votação. O Congresso aprovou na semana passada a convocação de uma série de eleições de metade de mandato ou para confirmar a permanência de Morales e dos nove governadores em seus cargos ou para encerrar seus mandatos.

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'Pela primeira vez na história da Bolívia, as pessoas não terão apenas o direito de escolher, mas poderão também decidir se as autoridades estão ou não servindo aos interesses delas', afirmou o presidente, convocando grupos internacionais de observadores a participarem do monitoramento das eleições.

Morales, primeiro presidente indígena da Bolívia, propôs a realização dos pleitos quatro meses atrás como uma forma de desafiar os governadores direitistas dos Departamentos do leste do país, regiões ricas em recursos naturais que pretendem ter maior autonomia frente ao governo central.

Esses políticos opõem-se também aos esforços de Morales para reformar a Constituição, algo que o ex-ativista do movimento dos cocaleiros afirma ser fundamental para fortalecer a fatia indígena da população boliviana, majoritária e pobre.

Comentaristas de política do país historicamente instável afirmam que Morales somente conseguirá sobreviver ao pleito de confirmação de mandato se obtiver o apoio dos eleitores da classe média, hoje descontentes com as reformas esquerdistas dele.

Caso Morales fracasse, o país mais pobre da América do Sul poderia embarcar em um período de turbulência política menos de três anos depois da eleição de Morales como presidente com eloquentes 54 por cento dos votos.

'Os dois lados desejam usar esses pleitos como uma plataforma de lançamento. Esse é um jogo realmente perigoso que poderia detonar um conflito ainda maior', disse Franklin Pareja, professor de ciências políticas da Universidade San Andres.

O maior e mais rico Departamento da Bolívia, Santa Cruz, aprovou em um referendo feito na semana passada uma maior autonomia do governo central. Outros três Departamentos do leste do país pretendem realizar votações semelhantes antes de julho.

Além disso, os bolivianos devem comparecer às urnas para decidir o futuro da nova Constituição

(Reportagem de Eduardo Garcia e Carlos Quiroga)

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