Presidente argentina volta ao trabalho enquanto Néstor Kirchner se recupera

Buenos Aires, 8 fev (EFE).- A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, retomará hoje suas atividades oficiais dada a boa recuperação de seu marido e ex-presidente do país, Néstor Kirchner, após a cirurgia de emergência à qual foi submetido ontem por um problema na carótida.

EFE |

Kirchner, de 59 anos, completa "suas primeiras horas pós-operatórias evoluindo satisfatoriamente com todos os parâmetros normais", informa um boletim divulgado hoje pela clínica Los Arcos, em Buenos Aires, onde ocorreu a operação. O boletim era assinado por Luis Buonomo, médico pessoal do ex-presidente.

O paciente passou a noite "bem, sem inconvenientes", afirmou o cirurgião Victor Caramutti, responsável pela cirurgia para retirar de Kirchner uma placa ulcerosa na artéria carótida direita.

Os médicos do entorno presidencial reagiram rápido no domingo e optaram pela operação algumas horas depois de Kirchner sofrer sintomas na perna e no braço esquerdos que afetavam a mobilidade.

Este tipo de operação "é para evitar o acidente vascular cerebral. É como se adiantar no tempo, tratar de resolver logo o problema, como quando se opera um paciente do coração para evitar que ele sofra um infarto", apontou Caramutti.

"Hoje em dia são operações de rotina, são produto da sociedade em que vivemos", acrescentou.

O ex-presidente e atual deputado governista, que se encontra em tratamento intensivo em uma sala vip do hospital, esteve acompanhado durante boa parte da noite por sua esposa e seus dois filhos, instalados em uma sala especialmente reservada.

Pelo hospital passaram ontem à noite vários ministros do Executivo e dezenas de militantes peronistas que aguardam ainda na porta do recinto para expressar seu apoio ao casal com cartazes com os dizeres "Força Néstor, a Pátria precisa de você" ou "Vamos companheiro".

Kirchner deverá permanecer em tratamento intensivo por mais um dia e não se sabe se receberá alta antes de 48 ou 72 horas. No entanto, a imprensa local assegura que o ex-líder pediu aos médicos para lhe permitirem deixar a clínica o mais breve possível.

A presidente Cristina Kirchner, que tinha suspendido suas atividades oficiais, retomará sua agenda nas próximas horas com a inauguração de um centro comercial nos arredores de Buenos Aires.

Não é a primeira vez que o ex-presidente, que governou o país entre 2003 e 2007, faz uma cirurgia de emergência.

Em 2004, Kirchner foi internado por seis dias em sua cidade natal, Río Gallegos (sul do país), por uma complicação relacionada ao cólon do ex-líder.

Em 2005, uma revisão que o manteve várias horas internado provocou um novo alerta e no final do mesmo ano, durante uma viagem pela Espanha, sofreu uma descompensação.

A complicação sofrida por Kirchner nessa ocasião é similar às sofridas pelos ex-presidentes Carlos Menem (1989-1999) e Fernando de la Rúa (1999-2001).

Em outubro de 1993, Menem teve que ser operado com urgência por obstrução na carótida direita, recebeu alta quatro dias depois e por semana retomou sua atividade oficial.

Em junho de 2001, em plena crise política e econômica na Argentina, De la Rúa se submeteu a uma angioplastia também por uma obstrução na artéria coronária direita da qual se recuperou em três dias.

Assim que receber alta, o ex-presidente poderá levar uma vida "totalmente normal", mas "terá que controlar o estresse na medida do possível", advertiu o médico.

Essa não será uma recomendação fácil de atender pelo ex-presidente, considerado o "homem forte" do país e responsável final pelas decisões mais importantes do Governo presidido por sua esposa.

Kirchner já tinha em sua agenda um importante ato no início de março para relançar sua carreira política e que contribui para a ideia de voltar a concorrer pelo bastão presidencial. EFE mar/sa

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