Presidente argentina substitui chefe de gabinete de governo

Por Fiona Ortiz BUENOS AIRES (Reuters) - A enfraquecida presidente da Argentina, Cristina Fernández, substituiu na quarta-feira seu poderoso chefe de gabinete depois de sofrer, na semana passada, uma esmagadora derrota em torno do aumento de impostos de exportação.

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Sergio Massa, prefeito do subúrbio de Buenos Aires e ex-chefe da área de seguridade social da Argentina, substituirá o chefe de gabinete em final de mandato Alberto Fernández, membro do círculo de poder da presidente.

Cristina, de centro-esquerda, tomou posse há apenas sete meses, mas seus índices de popularidade despencaram em meio à batalha com os ruralistas contrários ao aumento dos impostos de exportação sobre a soja, principal produto agrícola do país.

O embate transformou-se na pior crise política enfrentada pela Argentina desde que sofreu uma grave crise econômica, no começo desta década.

Os líderes da oposição e alguns membros importantes do partido da presidente, os peronistas, conclamaram-na a reformar seu gabinete de governo e a mudar suas políticas depois de o Senado ter obrigado Cristina a abrir mão da alta dos impostos.

Massa, 36, comandou durante quatro anos, no governo de Néstor Kirchner (marido e antecessor da atual presidente), a seguridade social.

'Massa é um político moderno, mais afeito a negociações, mais racional, mas nós teremos de ver como ele se sai porque Alberto Fernández conseguiu reunir vários setores (do partido governista)', disse o analista de política Ricardo Rouvier.

Registrando boas taxas de crescimento econômico há cinco anos consecutivos, o governo argentino aumentou o controle do Estado sobre alguns setores sem, no entanto, criar déficit orçamentário.

Cristina e Kirchner, frequentemente descritos pelos meios de comunicação como o casal presidencial, concentram o processo decisório em um pequeno círculo de assessores.

Durante a batalha com os ruralistas, Cristina não arredou pé de sua posição, o que fez lembrar o estilo político do marido dela, pouco disposto a realizar concessões.

A estratégia da presidente, no entanto, fracassou quando os ruralistas, cansados das limitações à exportação e do controle de preços, mobilizaram centenas de milhares de pessoas em grandes manifestações de rua ao mesmo tempo em que pressionavam o Congresso.

A Argentina é um dos maiores produtores agrícolas do mundo, e metade de suas exportações compreende esse tipo de mercadoria. O país, no entanto, encontra-se dividido a respeito de saber como distribuir os crescentes lucros gerados pela alta dos preços dos alimentos, entre os quais a soja.

(Reportagem adicional de Lucas Bergman, Helen Popper e Jorge Otaola)

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