Presidente argentina quer diálogo com campo e fim dos bloqueios de estradas

Buenos Aires, 18 jun (EFE).- A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, convidou hoje os dirigentes agropecuários a participarem de um acordo econômico amplo, mas ressaltou que quer o fim do bloqueio de estradas e que os manifestantes se organizem como partido político para validar suas idéias.

EFE |

"Queremos estender a mão e chamá-los à reflexão", disse Cristina em um ato na Praça de Maio de Buenos Aires, convocado pelo governante Partido Justicialista em apoio à sua gestão iniciada em 10 de dezembro do ano passado.

Em seu discurso, transmitido para todo o país em cadeia nacional, convocou o setor rural, que há três meses protesta contra o Governo, a se incluir no denominado "acordo do bicentenário", que o Executivo tenta elaborar com as empresas e os sindicatos.

Nós os "convidamos a democraticamente se constituírem como partido político e se apresentarem nas próximas eleições para reivindicar o voto a favor de seu modelo", afirmou a governante em tom energético e apoiada por seu marido e antecessor, Néstor Kirchner.

Cristina defendeu a resolução de 11 de março passado que prevê aumento nos tributos às exportações de grãos, medida que detonou o protesto rural e que agora o Executivo tenta validar no Parlamento.

Segundo Cristina, as retenções às exportações são "instrumentos que os grandes países desenvolvidos utilizam para se proteger e para prejudicar os emergentes".

"Estamos perante uma grande oportunidade histórica: pela primeira vez eles (os países desenvolvidos) necessitam mais de nós do que nós deles. Sejamos inteligentes, deixemos de olhar para o próprio umbigo", defendeu.

A governante afirmou que quando o conflito começou, pensou que estava batalhando "pela redistribuição de renda".

No entanto, disse que depois observou como os dirigentes das quatro entidades rurais, "em quem ninguém votou, comunicavam ao resto dos argentinos quem podia andar pelas estradas do país e quem não".

"Me dei conta que estava diante de outro cenário. Já não eram retenções ocasionais. Estava aumentando, interferindo na mesma construção democrática, que diz que os representantes do povo escolhidos em eleições são os que deliberam", comentou.

"Porém, quando além disso comecei a ver alguns que pareciam penetrar entre essas exigências e que nos insultavam por ter reinstalado a vigência dos direitos humanos na Argentina, o cenário foi completo e total.", disse.

"São infiltrados que sempre tentam se aproximar quando há conflito, para ver se podem dar marcha ré e conseguir a impunidade", acrescentou.

Para Cristina, os argentinos devem aprender que "dialogar pode significar também não estar de acordo em um ponto" e que as diferenças devem ser "processadas democraticamente".

"Talvez pelos golpes (de Estado), achamos que tudo funciona com intolerância, buzina, panelaço e bloqueio de estrada. Não é assim que funcionam as coisas, ao contrário, cada vez se causa mais desordem", disse a presidente.

Cristina foi eleita com 46% dos votos, mas sofre uma forte queda de popularidade apenas seis meses depois do início de sua gestão.

A governante pediu "àqueles que estão equivocados que liberem as estradas e permitam que os argentinos voltem a produzir e trabalhar". EFE nk/bm/rr

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