Buenos Aires, 15 abr (EFE).- A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, solicitou hoje à população que seja feita uma batalha cultural pela redistribuição de renda, em uma clara referência às entidades agropecuárias em conflito com o Governo.

Ao falar durante um ato público na província de Tucumán (no norte da Argentina), ela não fez qualquer referência direta ao campo. No entanto, pediu aos setores "que mais têm estendam a mão solidária ao povo".

Cristina assistiu ao ato de inauguração de um hospital em uma das regiões do país onde houve mais protestos durante a recente greve comercial das patronais rurais, que durou 21 dias e gerou desabastecimento de alimentos.

"É necessário que realizemos essa grande batalha cultural e que façamos os que têm mais compreenderem que não devem ver os Governos que lutam pela distribuição de renda, pela justiça e pela dignidade como inimigos. Ao contrário, são os melhores aliados porque dão sustentabilidade social e cultural ao seu país", declarou.

Durante seu discurso, a chefe do Estado prometeu "honrar o voto e a confiança de todos os argentinos", tanto os que deram seu apoio nas eleições presidenciais de outubro quanto "os que não o fizeram".

"O hospital que está sendo inaugurado hoje tem outro valor, outro significado, o sinal do compromisso", afirmou.

"E sabemos que nessa batalha, que nesse combate pela dignidade, mais saúde, mais moradia, vão colocar obstáculos, porque os hospitais, as casas, as ruas, os esgotos, não são construídos com discursos, e sim com dinheiro", ressaltou Cristina.

As quatro maiores entidades rurais do país decretaram a greve em março em rejeição ao aumento dos impostos à exportação de grãos e a suspenderam por 30 dias, em 2 de abril, quando se estabeleceu uma "trégua".

Durante a medida, que foi acompanhada por bloqueios de estradas em todo o país, Cristina criticou as patronais agropecuárias e chamou os protestos do campo de "piquetes da abundância".

Após serem recebidas pela governante na última sexta-feira, as entidades rurais devem iniciar hoje negociações técnicas com funcionários do Executivo para discutir os problemas mais urgentes do setor. EFE hd/bf/db

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