Presidente argentina pede articulação de modelo regional de decisões

Costa do Sauípe (Bahia), 17 dez (EFE).- A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, responsabilizou hoje os países desenvolvidos pela crise econômica, pediu a reforma dos organismos financeiros multilaterais e propôs a articulação de um modelo regional de tomada de decisões, para unir vozes em fóruns internacionais.

EFE |

"O principal problema que temos como espaço político caribenho é não ter um sistema de tomada de decisões que permita ter resultados concretos", disse a presidente argentina durante seu discurso no plenário da 1ª Cúpula da América Latina e do Caribe, realizada na Costa do Sauípe, na Bahia.

Segundo Cristina, a América Latina deveria implementar um sistema de decisão conjunta que possa imperar na ONU e em organismos multilaterais de crédito, para reformar suas regras e "que sejam cumpridas por todos".

"Um sistema onde as decisões que tomemos sejam decisões, não só discursos", afirmou.

Cristina responsabilizou novamente os países desenvolvidos pela crise econômica e financeira que, disse, é também uma "crise de ordem política", porque um grupo reduzido de países decidia pelos outros e de forma paralela aos organismos internacionais, como as Nações Unidas e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Nós solicitamos em todos os fóruns a reforma da estrutura financeira do FMI e dos organismos da ONU, mas talvez o mais grave seja que há um mundo onde, ainda com regras que não compartilhamos, há países que as cumprem ou que são obrigados, e outros que não cumprem", acrescentou.

"O mais grave", acrescentou, é "viver em um mundo onde as regras somente devam ser respeitadas pelos fracos e violadas pelos países mais poderosos".

"É intolerável que as regras sejam somente para alguns", insistiu a presidente argentina, que denunciou que os Estados Unidos nunca cumpriram as regras e "termina finalmente exportando sua crise a todos os países que sustentaram o crescimento da economia mundial".

Cristina criticou também duramente os organismos financeiros internacionais, que silenciaram a magnitude da crise dos EUA, porque, lamentou, "sempre andam buscando onde há Governos populistas na América Latina".

Segundo ela, para a América Latina, o importante seria ter uma postura uniforme nestes organismos multinacionais, porque "não se pode sustentar o duplo padrão, que é o que acontece hoje nos organismos multilaterais de crédito e em organismos políticos".

"Pedimos que as regras sejam cumpridas por todos", insistiu Cristina, que aproveitou para denunciar, mais uma vez, o descumprimento das recomendações das Nações Unidas sobre as ilhas Malvinas por parte do Reino Unido. EFE mar/an

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