Presidente argentina exorta agricultores em greve a liberar as estradas

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pediu hoje aos agricultores em rebelião fiscal há quase 100 dias que liberem as estradas e aceitem um acordo com o governo, ao falar para uma multidão na Praça de Maio em discurso transmitido em rede nacional.

AFP |

"Em nome da democracia, peço-lhes que liberem as estradas, que deixem os argentinos a voltaram a produzir e a trabalhar", disse em tom dramático e quase afônica, num comício considerado uma demonstração de força ante os produtores rurais que se negam a pagar um imposto escalonado sobre as exportações, em especial a da soja.

O pronunciamento de Cristina Kirchner representou uma reviravolta em relação a mensagens anteriores durante o prolongado conflito agrário, ao "estender a mão e chamá-los à reflexão".

Ela também convocou os agricultores em conflito com o governo a participarem do pacto social e produtivo denominado "Acordo do Bicentenário", da revolução da independência de Maio de 1810.

Esses vêm sendo responsabilizados pelo desabastecimento de alimentos, entre outros insumos essenciais nos centros urbanos e rurais.

"Aos que acreditam que possam fazê-lo melhor que nós (governar), convidamos a que democraticamente se constituam em partido político e que nas próximas eleições conquistem o voto popular", disse a presidente.

Em outro parágrafo de sua mensagem, defendeu com ardor as cobranças (de impostos) sobre as multimilionárias exportações de soja e outras matérias-primas, medida que motivou o conflito com agricultores e levantou o "problema dos alimentos e da energia cada vez mais caros em todo o mundo".

A Argentina é um dos maiores fornecedores de alimentos exportando matérias-primas e produtos agroindustriais em torno de 35 bilhões de dólares ao ano, mas o conflito está focalizado na soja.

A colheita argentina do grão está avaliada em 24 bilhões de dólares este ano e o governo tenta arrecadar 11 bilhões através das taxações, com o argumento de que os destinará à redistribuição da riqueza.

O imposto escalonado fixa percentuais progressivos de aumento na medida em que aumentem os preços internacionais que, no caso da soja, beirava nesta quarta-feira os 572 dólares a tonelada.

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