Presidente argentina conclui viagem à Tunísia firmando cooperação

Manuel Ostos. Túnis, 19 nov (EFE).- A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, concluiu hoje sua visita à Tunísia, segundo país em seu giro pelo mundo árabe, com a assinatura de acordos setoriais e a abertura de um seminário empresarial para promover o comércio bilateral.

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Cristina e o presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, mantiveram um novo encontro de trabalho antes da assinatura de um acordo de cooperação nos setores científico e tecnológico, outro sobre cooperação em agricultura e um terceiro sobre cooperação e desenvolvimento tecnológico.

Pela parte argentina, assinaram os documentos o ministro das Relações Exteriores argentino, Jorge Taiana; o secretário de Agricultura, Carlos Cheppi; e o ministro de Ciência e Tecnologia, Lino Barañao.

O ministro do Planejamento argentino, Julio De Vido; o governador da província de Entre Ríos, Sergio Urribarri; e o porta-voz da Presidência, Miguel Núñez, assistiram à assinatura dos acordos, que concluiu a visita da presidente argentina.

Cristina abriu hoje de manhã o seminário na sede da União Tunisiana da Indústria, do Comércio e do Artesanato (Utica) sobre possibilidades de comércio, negócios e investimento entre os dois países.

A chefe de Estado argentina disse que a viagem ao mundo árabe permitiu a existência de uma complementaridade econômica entre seu país e a Tunísia.

A presidente lembrou em seguida que se a Argentina atravessou uma crise sem precedentes no início do século XXI, "desde maio de 2003, o crescimento econômico é superior a 8% e o país cresceu 7,8% nos últimos meses".

"Apesar de todas as turbulências, acumulamos crescimento de 7,4% este ano, nossa economia é de matriz diversificada, e se mantivermos nossa condição de país produtor de alimentos, entramos na industrialização e no processamento de matérias-primas", ressaltou.

No mesmo contexto, Cristina se referiu de novo à crise de 2003 ao lembrar que, naquela época, o desemprego chegou a um quarto da população argentina economicamente ativa.

"Hoje, os argentinos têm o melhor salário de toda a América Latina, e além de produzir alimentos capazes de servir a 400 milhões de pessoas, desenvolvemos paralelamente uma grande antecipação tecnológica na agroindústria", acrescentou.

A presidente argentina deixou claro que suas palavras estão no mesmo sentido das pronunciadas pelos interlocutores tunisianos para fortalecer a cooperação Sul-Sul e a complementaridade econômica apesar da distância.

Cristina citou os esforços industriais de seu país dirigidos aos setores de informática e a biotecnologia, mencionou como caso relevante a produção de hormônios do crescimento para produtos lácteos e sustentou que "o mercado interno e as boas condições de trabalho incidem nesse crescimento econômico".

Entre Tunísia e Argentina, manifestou Cristina, existe uma oportunidade de cooperação sem precedentes na área agroalimentar "porque a crise no mundo desenvolvido colocará determinados produtos em melhor produção".

Em um momento de seu discurso, a presidente argentina foi aplaudida e gerou risos nos presentes ao seminário industrial ao destacar que "serão necessários mais alimentos porque quando se está nervoso, come-se mais".

"Sim, sim, a crise pode prescindir de algumas compras, mas não se pode prescindir é de comer", acrescentou ainda em tom jocoso.

Sobre isso, Cristina afirmou que as exportações argentinas alcançam US$ 13 bilhões e citou o exemplo de Entre Ríos, "onde existe um grande desenvolvimento da produção agrícola".

Ao se dirigir aos 200 empresários dos dois países presentes ao seminário, pediu a eles que não deixem passar a "oportunidade de associar as duas economias".

Solicitou ainda aos empresários que seus "neurônios fiquem alertas para captar as possibilidades de negócio. O setor privado tunisiano pode ser articulado com o Governo e empresários dos dois países".

Durante o seminário empresarial, o presidente Utica, Hédi Djilani, e o vice-presidente da União Industrial Argentina (UIA), José Ignácio de Mendiguren, assinaram um memorando para promover o desenvolvimento das relações entre as duas organizações que inclui assistência recíproca às empresas.

A delegação argentina viajou com destino ao Cairo, onde Cristina fará a terceira escala de sua viagem ao mundo árabe após visitar Argélia e Tunísia, e concluirá a viagem na Líbia. EFE mo/wr/jp

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