Presidente angolano consegue maioria no Parlamento

O presidente José Eduardo dos Santos, que dirigiu Angola durante 29 anos eleições legítimas, terá maioria qualificada no Parlamento saído das primeiras legislativas organizadas desde o fim da guerra civil em 2002.

AFP |

Seu partido, o Movimento Popular para a Liberação de Angola (MPLA), obteve 81,65% dos votos nas eleições legislativas organizadas sexta-feira e sábado, segundo resultados parciais com a metade dos votos apurados, anunciou neste domingo a Comissão Eleitoral.

Angola organizou sexta-feira suas primeiras eleições desde o fim, em 2002, de 27 anos de guerra civil. Em 1992, durante uma trégua dos combates, o governo organizou eleições gerais, mas os rebeldes recusaram os resultados e retomaram os enfrentamentos.

Apesar de um início caótico em Luanda na sexta-feira, que obrigou a comissão eleitoral a reabrir sábado os colégios eleitorais da capital, as eleições aconteceram num ambiente de calma.

Beneficiando-se ainda da legitimidade de um alto índice de participação, o MPLA obteve a maioria nas 18 províncias do país, destacou Adao de Almeida, porta-voz da Comissão, ao anunciar os resultados parciais.

Com 10,59% dos votos, a antiga rebelião da União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA), está muito atrás do partido no poder, inclusive em seus antigos redutos do centro do país.

A vitória do MPLA, que deve ser confirmada mais tarde pelos resultados definitivos, é delicada, destacou o porta-voz do partido na província de Luanda, Manuel Fragata de Morais.

"Devemos nos mostrar muito humildes. Devemos refletir com muita atenção as expectativas que esta vitória incontestável implica (...) O povo angolano nos colocou numa posição na qual não podemos decepcioná-lo", afirmou à AFP.

A Unita, principal partido da oposição, questionou a vitória do partido do presidente.

"Com os graves problemas logísticos registrados em Luanda durante a votação, o resultado final pode não refletir rigorosamente a vontade do povo de Angola", declarou à imprensa o presidente da Unita, Isaias Samakuva.

A Unita havia pedido sábado à Corte Constitucional que anulasse as eleições em Luanda, devido à ausência de listas eleitorais, ao número insuficiente de cédulas de votação e aos atrasos no envio do material aos colégios.

Luisa Morgantini, chefe da missão de observação da União Européia (UE) foi cautelosa ao comentar a situação, destacando os apenas "atrasos e algumas desorganizações".

A África Austral por sua vez, afirmou imediatamente que o processo eleitoral foi "confiável e transparente".

Antes destas legislativas, o MPLA contava com 129 cadeiras, das 220, da Assembléia Nacional, contra 70 para a UNITA.

O MPLA, no poder desde à independência da ex-colônia portuguesa em 1975, afirmou durante sua campanha a intenção de obter uma maioria de dois terços, o que lhe permitiria modificar a Constituição.

Em um país que disputa com a Nigéria o primeiro lugar na produção de petróleo da África, dois terços dos 16 milhões de angolanos vivem com menos de dois dólares por dia.

bur-ip/lm

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