Presidente afegão sai ileso de atentado durante desfile comemorativo

Lutffullah Ormurl Cabul, 27 abr (EFE).- O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, saiu ileso hoje de um ataque rebelde que deixou pelo menos três civis mortos no início do tradicional desfile que comemora a vitória mujahedin sobre o regime comunista pró-soviético.

EFE |

Uma criança de 10 anos, o deputado Fazel Rahman Samkanai e o líder de um pequeno grupo étnico afegão, identificado como Nasir Ahmad Latifi, morreram no ataque, segundo fontes oficiais consultadas pela Agência Efe.

De acordo com uma fonte do Ministério da Saúde, pelo menos 12 pessoas ficaram feridas, entre elas o também deputado Muhammad Daud Zazai.

O som das explosões e disparos gerou pânico e correria entre as milhares de pessoas reunidas para o evento. Já Karzai e os membros de seu Governo foram retirados por guarda-costas do local.

Em discurso transmitido pela televisão estatal pouco depois do atentado, Karzai acusou os "inimigos do Afeganistão de frustrarem a cerimônia do 16º aniversário da vitória dos mujahedins" e pediu calma à população.

O presidente também disse que alguns dos agressores já tinham sido detidos pelas forças de segurança afegãs.

O ataque, cujas características ainda continuam sendo confusas, foi reivindicado tanto pelos talibãs quanto por um grupo armado afegão ligado à Al Qaeda, de Osama bin Laden.

O porta-voz talibã Zabiullah Mujahid afirmou à Efe que seis insurgentes armados com rifles atiraram de uma distância de aproximadamente 30 metros no palanque no qual Karzai e outros membros do Governo assistiriam ao desfile.

Segundo Mujahid, três dos atiradores morreram no tiroteio subseqüente e outros três fugiram para um "local seguro".

A autoria do ataque também foi atribuída ao líder radical afegão Gulbudin Hekmatiar, um ex-mujahedin que agora está associado à Al Qaeda.

Um porta-voz de Hekmatiar disse à rede de televisão privada afegã "Tolo" que seus homens tinham lançado foguetes de uma casa situada a cem metros de onde estava Karzai.

O porta-voz do Ministério da Defesa, general Zahir Azimi, informou que várias pessoas foram presas após o atentado, mas não a que grupo rebelde elas pertencem nem o que realmente aconteceu.

O ataque, que frustrou as comemorações previstas, ocorreu durante a execução do hino nacional, acompanhada por salvas de canhão. Na hora, Karzai, membros do Governo, o corpo diplomático e outras autoridades estavam de pé, em um local próximo ao estádio de Cabul.

Centenas de ex-mujahedins, soldados do Exército e membros da Polícia estavam prontos para dar início ao desfile, no qual seriam exibidos tanques, armamentos e equipamentos das forças afegãs.

Com um desfile anual, os ex-mujahedins lembram a queda do regime comunista de Mohammed Najibullah, em 1992, três anos depois da retirada das tropas soviéticas do Afeganistão.

A União Soviética, que ocupou o país em 1979, retirou seus últimos soldados em fevereiro de 1989, incapaz de derrotar os vários grupos de mujahedins, dos quais o de Hekmatiar foi o que recebeu maios ajuda dos EUA - canalizada através do Paquistão.

A queda do regime de Najibullah, comemorada hoje, iniciou uma sangrenta guerra civil entre as diferentes facções de mujahedins, pôs o país no caos e transformou a bombardeada Cabul em um inferno para seus moradores.

Foram esse caos e desgoverno que mobilizaram os talibãs, que chegara, ao poder em 1996, até sua expulsão no fim de 2001 pelas tropas dos EUA e grupos de mujahedins reunidos na chamada Aliança do Norte. EFE lo/wr/sc

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