Presidente afegão quer que dossiê alerte sobre guerra no país

Dossiê tem informações sobre mortes não divulgadas de civis afegãos, bem como sobre operações sigilosas contra líderes do Taleban

EFE |

O governo do Afeganistão expressou nesta segunda-feira seu desejo de que o vazamento de um grande número de relatórios militares americanos sirva para "conscientizar ainda mais" as potências estrangeiras sobre dois problemas sobre os quais o país vem insistindo: a morte de civis e os refúgios de terroristas no Paquistão.

Em entrevista coletiva em Cabul, o principal porta-voz presidencial, Wahid Omar, explicou que o líder do país, Hamid Karzai, se mostrou "surpreso" pelos mais de 90 mil documentos que vazaram da organização Wikileaks, mas não por seu conteúdo, já que o governo afegão "reiterou sua preocupação há muito tempo" pelos assuntos abordados.

Sobre o papel desempenhado pela espionagem paquistanesa (ISI) na guerra afegã, Omar disse que desde 2006, quando aumentaram os ataques terroristas de grande envergadura, o governo do Afeganistão já avisou que o êxito militar no país dependia das áreas tribais paquistanesas.

"Não teremos um Afeganistão seguro se não prestarmos atenção nos lugares onde o terrorismo se alimenta, onde há refúgio para terroristas e motivos ideológicos para efetuar seus ataques no Afeganistão", afirmou o porta-voz.

Nos círculos diplomatas afegãos, o ISI normalmente é alvo de muitas críticas, especialmente por seu suposto apoio às redes do Taleban e pela teoria da "profundeza estratégica", segundo a qual Islamabad procura ampliar sua influência no Afeganistão apoiando os grupos pashtuns, também presentes em seu território.

Os relatórios filtrados recolhem um suposto apoio logístico dos serviços secretos paquistaneses à rede Haqqani - que foi acusada por alguns dos golpes terroristas mais violentos no Afeganistão - e inclusive uma suposta implicação do ISI em uma trama para assassinar Karzai, embora o porta-voz não tenha se referido a essa última situação durante seu discurso.

Omar considerou que o descobrimento de mais mortes civis também dá razão ao Governo afegão.

"Já alertamos sobre os problemas que representam as vítimas civis para conseguir nosso objetivo conjunto de derrotar o terrorismo no Afeganistão", disse o porta-voz, que admitiu que durante o último ano houve progressos nesse aspecto.

"Os documentos vazados que lemos até agora nos ajudarão, esperamos, a entender o papel desses fenômenos na guerra do Afeganistão", concluiu.

O porta-voz esclareceu que a volumosa informação que vazou ainda está sendo "estudada" pelo governo afegão e por isso ainda é cedo para tirar mais conclusões.

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