Presidente afegão perdoa mulher vítima de estupro presa por adultério

Gulnaz será libertada da prisão após ter, segundo o presidente, concordado em se casar com o estuprador

iG São Paulo |

EFE
Hamid Karzai durante discurso no palácio presidencial em Cabul (12/07)
O presidente afegão, Hamid Karzai, perdoou uma mulher afegã presa por adultério depois de ter sido estuprada por um parente, após ela ter, aparentemente, concordado em se casar com o estuprador.

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A mulher, que recebeu o nome de Gulnaz para preservar sua identidade, realizou o parto na prisão e sua filha foi mantida presa com ela. Grupos de direitos humanos afirmam que centenas de mulheres presas no Afeganistão são vítimas de estupro ou violência doméstica.

O advogado de Gulnaz afirmou à BBC que ela esperava que o governo desse a ela a liberdade de escolher com quem casar. "Em minhas conversas com Gulnaz, ela me disse que se fosse livre para escolher, ela não se casaria com o homem que a estuprou", disse Kimberley Motley.

O caso atraiu atenção internacional para o sofrimento das mulheres afegãs dez anos depois da queda do Taleban. No início de novembro, Gulnaz disse à BBC que depois que ela foi estuprada ela foi condenada por adultério. "No começo, minha sentença era de dois anos", disse. "Quando eu apelei, se tornou de 12 anos. Eu não fiz nada. Por que eu tenho que ficar presa por tanto tempo?"

Na mais recente apelação, a sentença de Gulnaz foi reduzida para três anos.

Depois que o caso de Gulnaz veio a público, 5 mil pessoas assinaram uma petição pedindo sua soltura. A notícia do perdão foi dada por meio de um comunicado do palácio presidencial.

Segundo o comunicado, um encontro do comitê judicial "discutiu o caso do estupro e o problema de sua prisão". "Uma vez que os dois lados (Gulnaz e o estuprador) concordaram em se casar sob condições, autoridades foram incumbidas de agir de acordo com a Sharia islâmica."

"O presidente ordenou que o gabinete de assuntos administrativos e o secretariado do conselho de ministérios façam o decreto pela soltura de Gulnaz."

A agressão contra Gulnaz veio à tona por conta de sua gravidez. O estuprador - marido de sua prima - foi preso por 12 anos, e, depois, teve sua pena reduzida para sete anos.

Sua história fazia parte de um documentário europeu sobre mulheres afegãs presas pelos chamados "crimes morais", no entanto, a União Europeia proibiu o lançamento do filme, por temer que as mulheres perfiladas pelo filme poderiam se sair prejudicadas.

O embaixador da União Europeia e representante oficial para o Afeganistão, Vygaudas Usackas, disse na quinta-feira que estava "satisfeito" em saber que Gulnaz seria libertada.

"Seu caso serviu para destacar o sofrimento das mulheres afegãs, que dez anos depois da queda do regime do Taleban, continuam a sofrer sob condições inimagináveis, sem os mais básicos direitos humanos", disse.

"Enquanto aplaudimos a soltura de Gulnaz, sob ordens do presidente Karzai, a União Europeia espera que a mesma misericórdia seja estendida a mulheres em condições semelhantes."

Com AP e BBC

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