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Presidente afegão pede mudança de estratégia após mortes de civis

CABUL - Com mais de 1,5 mil civis mortos em 2008 em ataques de talibãs e de tropas internacionais, o presidente afegão, Hamid Karzai, exigiu uma mudança de estratégia militar no Afeganistão, e os Estados Unidos se dispõem a transferir seus esforços da guerra no Iraque ao combate em território afegão.

EFE |

Os insurgentes continuam nas áreas de população pashtun, no sul e no leste do país, e as constantes operações e bombardeios da coalizão americana e da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) - sob mandato da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) - não enfraqueceram a presença dos rebeldes.

As tropas estão concentradas nas zonas urbanas e nas linhas de comunicação importantes, enquanto os talibãs dominam as áreas rurais e a rede secundária de estradas, o que facilita seu controle sobre a produção de ópio no sul do país.

A complicada situação afegã gera solicitações para o aumento de tropas internacionais, que convivem com os que pedem uma mudança de estratégia no Afeganistão e com a tentativa de diálogo de Karzai com os insurgentes.

"Os sinais não são bons, é preciso um esforço coletivo urgente para que a situação melhore. A insurgência e a insegurança crescentes refletem uma falha coletiva", disse à Agência Efe o analista afegão Waheed Mujhda.

Em meados de novembro, o Parlamento alemão aprovou o envio de mais 3,5 mil soldados ao país, alinhado ao "discreto aumento" de tropas - mais quatro mil americanos - proposto pelo presidente dos EUA, George W. Bush, em setembro.

No entanto, o aumento de soldados não é visto como uma solução por outros países, que pedem uma revisão de estratégia capaz de conciliar a ação militar com o desenvolvimento social e econômico.

Com seu acesso ininterrupto ao financiamento do ópio, os talibãs conseguiram executar este ano um de seus maiores golpes de efeito até o momento: a libertação de 350 presos da penitenciária de Kandahar em um ataque surpresa.

Além disso, os insurgentes consolidaram o recurso aos atentados suicidas como forma de combate, exemplificado em um ataque em Kandahar, em fevereiro, com mais de 100 mortos, ou que, em julho, deixou 58 vítimas fatais junto à Embaixada da Índia em Cabul.

As tropas estrangeiras também não se livraram de pequenas, mas sangrentas, operações, como o ataque contra uma base americana em Kunar, com 9 soldados mortos, em julho, ou uma emboscada nas cercanias de Cabul que matou 10 militares franceses em agosto.

A deterioração da situação de segurança teve uma reação oficial já em abril, durante um encontro dos líderes da Otan em Bucareste, onde reafirmaram "um compromisso firme e compartilhado a longo prazo".

Mas, no terreno, a resposta das tropas internacionais à insegurança crescente consistiu em operações seletivas, com o recurso habitual aos bombardeios da aviação, o que, algumas vezes, gerou massacres entre os civis e fortes críticas.

A morte de 90 pessoas em um bombardeio registrado em agosto, em Herat, levou Karzai a pedir a "revisão" do papel das tropas internacionais no Afeganistão.

Segundo a ONU, 1,445 mil civis afegãos morreram entre janeiro e agosto deste ano, o que representa um aumento de 39% frente ao ano anterior, e, entre estes, quase a metade foi vítima das tropas afegãs e internacionais.

As contínuas mortes de civis enfraqueceram a imagem dos EUA e de Karzai, e a campanha de ganhar a população local na luta contra a insurgência.

"A paciência dos afegãos está acabando, e seu apoio desaparecerá se não houver cuidado. Precisam de segurança, apoio econômico", disse à Efe o professor Qadir Nayel, da Universidade de Cabul.

"Embora nenhum Exército tenha feito mais para prevenir as vítimas civis, está claro que temos que trabalhar ainda mais duro", admitiu o secretário de Defesa americano, Robert Gates, durante uma visita este ano ao Afeganistão.

A Otan tem cerca de 48 mil membros da Isaf no Afeganistão, entre eles 18 mil americanos, que atuam em paralelo a mais 15 mil militares dos EUA à frente da missão antiterrorista Liberdade Duradoura.

Além desses efetivos, há as próprias forças afegãs, formadas por cerca de 80 mil homens.

O Afeganistão vislumbra o ano de 2009 com duas circunstâncias que poderiam ser chaves para seu futuro: suas próprias eleições presidenciais e a chegada de Barack Obama à Presidência dos EUA.

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