Presidenciáveis paraguaios expõem suas propostas na televisão

Assunção - Os principais candidatos à Presidência do Paraguai expuseram hoje suas propostas ao vivo na televisão internacional, faltando 17 dias das eleições gerais e com o ex-bispo Fernando Lugo aparecendo como favorito das pesquisas.

EFE |

Pobreza, corrupção, saúde, educação, segurança e relações exteriores centraram os temas do Fórum Presidencial 2008, da cadeia "CNN" e do "Canal 9" de Assunção, no qual os candidatos tiveram um minuto para responder às mesmas perguntas feitas a cada um.

O general Lino Oviedo, da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), terceira força da oposição, abriu o programa afirmando que tem um projeto de emergência para "um país que se encontra em tratamento intensivo na parte social" e com "2,5 milhões de pobres".

Oviedo, terceiro nas pesquisas, de uma coalizão de centro-esquerda, seguido por Blanca Ovelar, do Partido Colorado (no poder há 61 anos), prometeu "saúde e educação de graça", assim como alimentos e subsídio estatal para os mais pobres.

Blanca afirmou: "Vamos derrotar a pobreza com o trabalho" e por meio de "um vigoroso investimento de capital privado para a construção de obras públicas que gerem milhares de postos de trabalho".

Para Lugo, a pobreza "é um mal estrutural e somente mudando estruturas injustas" pode ser derrotado, enquanto o empresário Pedro Fadul, último nas pesquisas, sustentou que "os presentes e os assistencialismos não ajudam a atenuar" esse flagelo.

Em relação à segurança e à justiça, o ex-clérigo, do opositor Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol), se pronunciou a favor de maiores fontes de trabalho e de independência do Poder Judiciário, que, disse, não deve ser formado com pactos políticos, como é feito até agora.

A este respeito, Ovelar disse que o que se deve fazer é dotar "a Polícia de melhores recursos e de melhores salários, de tecnologia, internet e rádios", enquanto Oviedo asseverou que "não existe relação harmônica entre policiais, promotores e juízes".

Fadul, do Movimento Pátria Querida (MPQ), segundo maior da oposição, prometeu sanear a instituição policial e corrigir algumas leis, além de realizar o trabalho conjunto de prevenção com as comunidades.

Sobre a corrupção, Lugo opinou que "a melhor maneira de atacá-la é que a mesma cabeça, o Executivo, seja o exemplo de honestidade", para "exigir transparência e honestidade", e assegurou que os recursos de sua campanha vêm de "eventos" que realizam e ao mesmo tempo "da cidadania".

O principal suporte político de Lugo é o centenário Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), segunda força eleitoral do país, que lidera a APC, formada além disso por grupos minoritários e organizações sociais e de esquerda.

Perguntado sobre o aproveitamento energético com Argentina e Brasil, com os quais o Paraguai explora as hidrelétricas de Yacyreta e Itaipu, Lugo reafirmou que seu grupo político propõe "a recuperação da soberania energética".

"É possível fazer uma renegociação", disse Blanca, que prometeu criar uma secretaria de energia para analisar o tema, enquanto que Oviedo disse que "os países sérios cumprem seus tratados e compromissos e não se devem gerar polêmicas com discursos poucos sérios", em alusão às reivindicações de Lugo.

No encerramento do programa, Oviedo, em corrida presidencial após ser absolvido de uma condenação de 10 anos de prisão pela tentativa golpista que liderou em 1996, repetiu sua frase favorita: "Voltei, me libertarei e governarei o Paraguai".

Blanca lembrou o falecido e laureado escritor paraguaio Augusto Roa Bastos, Prêmio Cervantes 1989, ao afirmar que ele estava convencido de que uma mulher na Presidência "marcará o ponto de inflexão na história paraguaia".

O fórum televisivo foi realizado no dia em que Lugo aparece com 10 pontos de vantagem sobre Blanca em uma pesquisa publicada pelo jornal "La Nación", quando faltam 17 dias para as eleições.

A pesquisa, da empresa Ati Snead, mostra o ex-prelado com 36,8% dos votos, contra 26,4% da aspirante "colorada".

No terceiro lugar aparece Oviedo com 24,3%, enquanto Fadul está em quarto na preferência do eleitor, com apenas 2,8%.

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