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Presidência troca de mãos na Rússia, mas poder segue com Putin

Sergio Imbert. Moscou, 20 dez (EFE).- A mudança de poder no Kremlin após a posse do novo presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, foi encarada como uma simples manobra política pelos russos, que consideram que o homem forte em Moscou continua sendo o agora primeiro-ministro, Vladimir Putin.

EFE |

O fortalecimento do campo financeiro, fruto de um período de alta nos preços do petróleo com Putin como chefe de Estado, deu ao hoje premiê carta branca para remodelar o país, impor um sistema de poder autocrático e colocar sob controle de sua equipe praticamente toda a economia russa.

Medvedev, sombra do hoje premiê durante 17 anos, foi escolhido como sucessor na Presidência no final do segundo mandato consecutivo de Putin, o máximo permitido pela Constituição russa, e eleito presidente em 2 de março com 70,2% dos votos.

O resultado estava predeterminado pelo apoio do chefe de Estado, a falta de uma alternativa real, o controle sobre a imprensa e a ausência de uma oposição realmente forte.

Tecnocrata de 42 anos, com auréola de liberal e um dos poucos confidentes de Putin não vinculado aos serviços secretos, durante a campanha Medvedev carregou um discurso sobre a primazia do direito e a luta contra a corrupção.

Assumiu a Presidência em 7 de maio, passando logo depois a Putin não só a chefia de Governo, mas também dezenas de incumbências-chave para a gestão política e econômica diária do país.

Antes, Putin, de 56 anos, já havia se prevenido contra possíveis surpresas, se tornando líder do partido governista Rússia Unida, que controla mais de dois terços das cadeiras da Duma (Câmara Baixa).

Dentro do particular sistema de poder formado por ambos, Medvedev se dedica, sobretudo, à política externa, enquanto Putin rege o destino econômico do país.

A manobra tornou a figura do primeiro-ministro, até então meramente decorativa, peça-chave na cadeia de comando da Rússia, e "o centro onde as decisões econômicas são tomadas se transferiu do Kremlin" para a sede do Executivo, segundo frisou um jornal local.

A crise financeira, cujos cortes obrigaram os magnatas russos a formar fila e pedir dinheiro ao Estado para refinanciar suas dívidas, equivalentes às reservas do país, deu ainda mais peso a Putin, que distribui os auxílios pessoalmente.

"Medvedev não só não influi na divisão de fundos, mas nem sequer tenta fazê-lo. É óbvio que as tarefas dentro da dupla governante estão claramente delimitadas", disse um ex-integrante do Governo.

Segundo uma pesquisa feita em novembro pelo centro VTsIOM, 59% dos russos confiam em Putin, e apenas 45% em Medvedev.

Em outra enquete, 80% dos consultados disseram que Putin é o líder que melhor governou a Rússia nos últimos 100 anos.

Em 5 de novembro, Medvedev surpreendeu a todos quando em sua primeira mensagem sobre o estado da nação propôs emendar pela primeira vez a Constituição e ampliar de quatro a seis anos o mandato presidencial, como um passo para aperfeiçoar a gestão da administração pública.

Segundo analistas, as emendas buscam fortalecer a figura do presidente em momentos de crise financeira global e de queda dos preços do petróleo, o que afeta seriamente a economia russa.

Comentaristas independentes apontam que a ampliação do mandato presidencial parece ser o primeiro passo para o retorno de Putin ao Kremlin em 2012 ou inclusive antes, muito possivelmente, já no ano que vem.

Segundo esse cenário, Medvedev seria uma mera figura de transição que devolveria o governo do Kremlin a Putin assim que dissolvidas as piores nuvens da crise.

Para o político opositor Boris Nemtsov, "a equipe Medvedev-Putin procura perpetuar a usurpação do poder" e se reserva à possibilidade de reeleger a figura que decidam "em qualquer momento antes que o impacto da crise gere descontentamento popular".

Alguns comentaristas ironizam dizendo que, se mantendo a dupla de Governo e continuando Medvedev em um segundo mandato, já de seis anos, antes que seu antecessor retorne ao Kremlin, esta equipe governaria a Rússia até o ano 2030.

Para a colunista Natalia Guevorkian, "Medvedev hoje em dia é mais forte que Putin na teoria, mas Putin ainda é mais forte que Medvedev de fato". EFE se/rr/mh

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