Trípoli, 5 mar (EFE).- A Presidência da União Africana (UA), exercida atualmente pelo líder líbio, Muammar Kadafi, disse hoje que não reconhece a ordem de detenção do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o presidente sudanês, Omar al-Bashir, e a considerou injustificada e contra todas as regras do direito internacional.

Em comunicado divulgado pela agência oficial líbia "Jana", a Presidência da UA afirma que a legitimidade do TPI, que emitiu a ordem de detenção, já foi contestada, já que "existe unicamente para concretizar a política de terrorismo contra os países fracos, para colocar em questão sua independência, sua soberania e suas opções políticas".

"A União Africana estima que o que emana desta corte confirma a política de dois pesos e duas medidas, já que nenhum dos autores de crimes contra a humanidade no Afeganistão, territórios palestinos, Iugoslávia ou Iraque foi perseguido", afirma a nota.

Além disso, ressalta que o "mau uso do sistema de cortes internacionais contra dirigentes africanos ameaça os esforços dos países do continente para solucionar seus problemas".

A Presidência líbia da organização pan-africana afirma que esse "mau uso" atenta também contra a estabilidade e o desenvolvimento econômico e social, e "paralisa" os países-membros da UA "em seus esforços para fazer frente aos conflitos internos".

O TPI emitiu na quarta-feira uma ordem de detenção contra Bashir por sua relação com supostos crimes de guerra e lesa-humanidade cometidos durante o conflito armado da região sudanesa Darfur, no qual, segundo a ONU, morreram mais de 300 mil pessoas. EFE fa-sk-jg/an

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