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Presidência francesa declara guerra a autores de boatos

A Presidência francesa decidiu declarar guerra contra os responsáveis pelos rumores das supostas infidelidades do casal Nicolas Sarkozy e Carla Bruni.

BBC Brasil |

O advogado do presidente, Thierry Herzog, e o seu consultor de comunicação, Pierre Charon, acreditam que houve um "complô organizado para desestabilizar" o chefe de Estado, que poderia ter sido motivado "por interesses financeiros".

AFP
Sarkozy e Carla Bruni, em foto de 29 de março

Sarkozy e Carla Bruni, em foto de 29 de março

"Consideramos essa infâmia um casus belli (expressão usada para designar um caso que justifica uma declaração de guerra). Queremos ir até o fim para que isso não ocorra nunca mais", declarou Charon.

As supostas infidelidades do casal Sarkozy foram divulgadas na internet no início de março, durante a campanha para as eleições regionais, em um blog independente hospedado no site do jornal dominical Journal du Dimanche (JDD).

As informações tiveram ampla repercussão na imprensa internacional, sobretudo britânica, alemã e suíça. Em um comunicado, os jornalistas do JDD afirmaram considerar "inaceitável o tom de ameaça e de inquisição dos comentários feitos pelo consultor do presidente".

Ameaças

A direção do Journal du Dimanche chegou a pedir desculpas ao presidente Sarkozy e demitiu o diretor-geral da Newsweb, filial que administra os sites das publicações do grupo. O jornal também demitiu o autor do blog, um jovem de 23 anos, não jornalista, que teria sido contratado para aumentar a audiência do site.

Mas isso não foi suficiente para, segundo a imprensa francesa, aplacar a ira do governo, que teria pressionado o jornal a pedir que a Justiça investigasse a origem dos rumores e como eles chegaram ao blog.

O jornal confirmou ter entrado com o pedido na Justiça e a polícia judiciária abriu uma investigação preliminar sobre os rumores.

O conselheiro de comunicação do presidente nega, entretanto, que o governo tivesse pressionado a direção do jornal, mas afirma apoiar a decisão da publicação.

O Journal du Dimanche pertence ao grupo Hachette Filippachi, cujo proprietário, Arnaud Lagardère, é amigo do presidente.

Rachilda Dati

Vários órgãos da imprensa citaram a ex-ministra da Justiça Rachida Dati como uma das principais suspeitas de espalhar os rumores.

A revista Le Nouvel Observateur disse que Dati, atualmente deputada europeia, teria sido apontada pelos serviços secretos franceses como a responsável pelos boatos.

O jornal satírico Le Canard Enchaîné já havia revelado que a ex-ministra, que perdeu na semana passada o privilégio de dispor do carro oficial do ministério e de seguranças, "caiu em desgraça", por duas razões.

Primeiro, por ter criticado a estratégia política da direção do partido governista para as eleições regionais realizadas no mês passado. E, segundo, pelas suspeitas que provocou dentro do próprio governo de ter espalhado rumores sobre a vida privada do casal presidencial, depois de ter sido "a protegida de Sarkozy".

Em um comunicado publicado na segunda-feira, Dati desmente ter espalhado os boatos e "protesta com indignação contra as alegações de certos jornais que lhe atribuem uma responsabilidade na divulgação de rumores absurdos".

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