Presidência de Piñera inicia novo ciclo político na história do Chile

Manuel Fuentes. Santiago do Chile, 9 mar (EFE).- Com a chegada ao poder do conservador Sebastián Piñera, o Chile inicia um novo ciclo político que põe fim a 20 anos de Governos da Concertação, a coalizão progressista à qual o futuro presidente pediu sentido de unidade para enfrentar a tragédia vivida pelo país após o terremoto.

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Há dez dias, Piñera se dedicava a pensar em como cumprir as ambiciosas promessas que fez durante a campanha eleitoral e com as quais alcançou o apoio de 3,5 milhões de chilenos, 30% do eleitorado do país.

Melhorar a saúde e a educação, criar um milhão de empregos e "ganhar a batalha" contra a criminalidade constituíam um difícil desafio para o primeiro líder de direita eleito no Chile em meio século.

"Queremos uma mudança que signifique um futuro melhor, especialmente para o povo mais humilde, o povo do campo, que foram os grandes desprezados nos Governos da Concertação", disse Piñera durante sua campanha eleitoral.

E foi justamente essa parcela da população a mais afetada no último dia 27, quando um terremoto de 8,8 graus na escala Richter devastou as regiões de Maule e Bio-Bío.

Esta tragédia, que condicionará os quatro anos de seu mandato, obrigou Piñera a mudar os planos de Governo antes mesmo de ocupar seu gabinete no Palácio de la Moneda.

Há um mês, o presidente eleito apresentou seu futuro gabinete, cercando-se de técnicos e empresários.

Dos 22 ministros, só há quatro membros do partido conservador Renovação Nacional (ao qual Piñera pertencia) e outros quatro da direitista União Democrata Independente (UDI).

"Esta equipe encarnará uma nova forma de governar, um Governo que restabelecerá a cultura de fazer as coisas bem, de forma honesta e com um sentido de urgência", disse Piñera ao apresentar sua equipe.

Mesmo nomeando subsecretários com um marcado perfil político, a decisão de Piñera lhe custou o primeiro atrito com os partidos que respaldaram sua candidatura, que se queixaram da inexperiência política dos futuros ministros.

Em um primeiro momento, a proposta de Piñera de reviver "a democracia dos acordos", em alusão ao modelo implantado pelo presidente Patrício Aylwin (1990-1994) após a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) também não encontrou muito apoio na Concertação.

"Falar de acordos tem mais a ver com uma circunstância política histórica que já acabou", respondeu o líder socialista Fulvio Rossi.

No entanto, a natureza se encarregou de mudar a situação.

No sábado passado, uma semana depois do terremoto, Piñera voltou a propor à oposição um acordo. Desta vez, os líderes dos quatro partidos da Concertação responderam afirmativamente para impulsionar a reconstrução do país e acelerar o atendimento aos desabrigados.

Segundo a maioria dos analistas, a Presidência de Sebastián Piñera não deve se diferenciar muito da linha seguida pelos Governos da Concertação, um modelo que combina a economia de mercado e o sistema de proteção social e que até o terremoto parecia haver garantido a estabilidade social e a prosperidade econômica.

"O modelo de mercado vai continuar; o diferencial do futuro Governo estará na ênfase em determinadas políticas sociais", disse à Agência Efe José Jara, diretor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.

Além de praticar "um novo estilo de governar" e reconstruir as zonas devastadas, a outra grande prioridade do presidente eleito será impulsionar as relações exteriores do Chile com a América Latina.

A chegada ao poder da direita no Chile pode representar um contrapeso para a esquerda na região e estender o eixo conservador que parte do México, atravessa a Colômbia e chega ao Peru.

Semanas atrás, Piñera estreou no cenário internacional com sua participação na cúpula do Grupo do Rio, onde apresentou sua agenda para a América Latina, que terá como prioridade as relações com Brasil e México, a aproximação aos países vizinhos (Peru, Bolívia e Argentina) e o reforço dos laços com Colômbia e Equador. EFE mf/bba

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