acordo de cooperação militar entre Colômbia e Estados Unidos, que prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases na Colômbia é ineficiente no combate ao narcotráfico e dá plataforma política a Hugo Cháve na América do Sul, afirma o professor da Universidade da Califórnia Abraham Shragge, livre-docente em História Moderna dos Estados Unidos." / dá plataforma política a Chávez, diz historiador - Mundo - iG" / acordo de cooperação militar entre Colômbia e Estados Unidos, que prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases na Colômbia é ineficiente no combate ao narcotráfico e dá plataforma política a Hugo Cháve na América do Sul, afirma o professor da Universidade da Califórnia Abraham Shragge, livre-docente em História Moderna dos Estados Unidos." /

Presença militar dos EUA na Colômbia dá plataforma política a Chávez, diz historiador

SÃO PAULO ¿ O http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2009/08/14/colombia+anuncia+ter+concluido+negociacao+com+eua+sobre+acordo+militar+7895937.html target=_topacordo de cooperação militar entre Colômbia e Estados Unidos, que prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases na Colômbia é ineficiente no combate ao narcotráfico e dá plataforma política a Hugo Cháve na América do Sul, afirma o professor da Universidade da Califórnia Abraham Shragge, livre-docente em História Moderna dos Estados Unidos.

Leandro Meireles Pinto, do Último Segundo |

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acusa os EUA de quererem criar na Colômbia uma plataforma a partir da qual possam "atacar" seus vizinhos . Os governos de Equador, Bolívia e Nicarágua, aliados de Caracas, se somaram a essas críticas. "Hugo Chávez exagera neste caso. A ideia da presença norte-americana no continente dá a ele uma grande plataforma de combate político" afirmou Shragge, em entrevista ao Último Segundo .

O professor diz ainda que o acordo com a Colômbia, que prevê a manutenção de até 800 soldados em território colombiano para a luta contra o narcotráfico e o terrorismo, não é ameaça para a soberania dos países sul-americanos. "As tropas podem até ser vistas como uma provocação dos EUA, mas seriam necessários muito mais que 800 homens para desestabilizar a região", disse.

Em uma crítica ao extremo militarismo norte-americano, o profersso explica que a Guerra Fria tornou os país "enfeitiçado" com o poder militar e isso se reflete na política externa. "É necessário entender que o problema do narcotráfico na Colômbia provavelmente não precisa ser resolvido militarmente, ainda mais por soldados dos Estados Unidos", afirmu o professor. Segundo Shragge, parcerias de inteligência e desenvolvimento social são muito mais efetivas e menos danosos à reputação dos EUA no mundo.

A Colômbia, maior produtora mundial de cocaína, já recebeu mais de US$ 5 bilhões de dólares de Washington, principalmente em ajuda militar, para enfrentar traficantes e rebeldes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). O acordo negociado nesta semana é uma extensão de um acordo de cooperação militar já existente.

Mais de 700 bases dos EUA no exterior

De acordo com o Relatório Anual de Bases e Estruturas do Pentágono de 2008, os Estados Unidos mantêm 761 bases espalhadas por 39 países, sendo que a maioria está localizada na Alemanha (268), seguida por Japão (124) e Coreia do Sul (87). O número de bases americanas no exterior, no entanto, é ainda maior, uma vez que o relatório do Pentágono não contabiliza as bases em países em guerra com os EUA, como o Iraque e o Afeganistão.

Além dos militares espalhados ao redor do mundo, os EUA também contam com milhares de civis contratados para tarefas de cunho militar. Esses civis são pagos pela Secratria de Defesa do país para fazer tarefas de manutenção nas bases, transporte e outros serviços de logística. "Mas há também os civis que tem atuação militar, os chamados mercenários, e isso é uma outra questão importante que deve ser revista", afirma o professor Shragge.

Após o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, os Estados Unidos mantiveram muitas de suas bases em solo estrangeiro em funcionamento. A Alemanha, país com o maior número de soldados americanos naquela época, ainda hoje abriga centenas de instalações norte-americanas.

Segundo o professor Abraham Shragge, o primeiro objetivo das bases na Alemanha era a ocupação pós-guerra para manter a estabilidade do país. "Após a reconstrução da Europa, as bases foram mantidas na Alemanha por causa da Guerra Frica com a União Soviética. Era preciso medir forças com os russos e manter alguma influência na região", afirmou Shragge. Hoje, as bases dos EUA na Europa servem como posto avançado de operações dos conflitos no Oriente Médio e uma base de influência sobre a África, explica Shragge.

Ainda de acordo com o relatório do Pentágono, há dezenas de bases instaladas no Oriente Médio, onde o país combate em duas guerras ¿ Iraque e Afeganistão. Mas há também um grande número de centros de operação em regiões longe de qualquer conflito, como é o caso da Itália, Dinamarca e Austrália.

"Durante sua campanha, Barack Obama falou muito sobre a desmilitarização dos Estados Unidos e a redução de tropas americanas no exterior. Mas cerca de seis meses após sua posse, ainda é difícil ver alguma ação nesse sentido", afirmou Shragge.

Segundo o professor, a recente acordo militar com a Colômbia mostra que os Estados Unidos continuam vendo os problemas do mundo "de forma militar". "Se nossa política externa continuar baseada na força militar, nós acabamos perdendo nosso rumo. Nós não seremos o exemplo moral que queremos ser no mundo", concluiu.

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