Presença do Vaticano em conferência sobre racismo irrita judeus

Por Philip Pullella CIDADE DO VATICANO (Reuters) - A decisão do papa Bento 16 de enviar uma delegação do Vaticano a uma conferência das Nações Unidas sobre o racismo provocou nova ruptura nas relações com grupos judaicos, temerosos de que ela seja usada como plataforma para ataques a Israel.

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"Com sua participação, o Vaticano deu seu endosso ao que está sendo preparado ali (contra Israel)", disse o rabino chefe de Roma, Riccardi Di Segni, ao jornal italiano La Stampa.

Os Estados Unidos e seus aliados, incluindo a Itália --país que frequentemente assume posição igual à do Vaticano em conferências internacionais-- estão boicotando a conferência.

No domingo o papa, que em maio fará sua primeira visita a Israel como pontífice, descreveu a conferência como iniciativa importante e disse esperar que ela possa ajudar "a acabar com todas as formas de racismo, discriminação e intolerância".

Shimon Samuels, diretor do escritório europeu do Centro Simon Wiesenthal, disse que o Vaticano "está dando o selo de sua aprovação à campanha de ódio" contra Israel.

"Não é uma posição sobre a qual seja possível transigir", disse Samuels. "Não é possível ficar em cima do muro. O Vaticano é uma voz poderosa, e (um boicote) dele teria tido efeito demonstrativo poderoso."

O porta-voz principal do Vaticano, padre Federico Lombardi, defendeu a presença do Vaticano e disse que um texto da conferência que provocou discórdias foi aprimorado nas últimas semanas.

"Trata-se de uma conferência internacional promovida pelas Nações Unidas e a Santa Sé", disse ele. "O simples fato de alguns países importantes não estarem participando não significa que a Santa Sé não possa ter um diálogo positivo e construtivo aqui", disse Lombardi.

O presidente norte-americano, Barack Obama, previsto para ter seu primeiro encontro com o papa em julho, disse que Washington temeu que a conferência pudesse tornar-se espaço para a expressão de antagonismo em relação a Israel.

Na segunda-feira Israel chamou de volta seu embaixador à Suíça, em protesto pela realização da conferência. Diplomatas abandonaram a conferência quando o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad acusou Israel de criar "um regime cruel, repressor e racista" em relação aos palestinos.

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