Preparação para Jogos inclui flores, etiqueta e saída de migrantes

A poucos dias do início dos Jogos Olímpicos, Pequim dá os últimos retoques para a festa que custou US$ 40 bilhões e deverá atrair meio milhão de visitantes estrangeiros, além de ser televisionada para mais de quatro bilhões de pessoas ao redor do planeta. Pelas ruas da capital, dedicados chineses aparam e regam jardins, varrem calçadas e iluminam fachadas para deixar o visual harmônico.

BBC Brasil |

Na próxima sexta-feira, dia da cerimônia de abertura, tudo tem de estar mais que perfeito aos olhos dos exigentes anfitriões, que investiram dinheiro, tempo, paciência e esperança na construção de um evento que muitos acreditam marca historicamente a transição da China de país emergente a potência.

Desde 2001, quando recebeu o direito de sediar os Jogos, o governo chinês fez das Olimpíadas a prioridade na agenda nacional, transformando a capital num canteiro de obras e levando a população a uma onda de treinamento sem precedentes.

Mas apesar da dedicação e esforço, Pequim ainda luta para esconder possíveis imperfeições no último minuto.

Faxina
A cidade deu nas últimas semanas uma "faxina" nas ruas, retirando migrantes da capital.

Mais de um milhão de migrantes humildes, que trabalhavam nas construções da cidade, foram despachados de volta às suas cidades do interior.

A organização não-governamental Anistia Internacional acusa a China de prender sob prisão domiciliar ou em campos de trabalho forçado alguns ativistas e defensores de direitos humanos, que poderiam protestar durante o evento.

Tapumes decorados com motivos Olímpicos foram colocados na frente de terrenos baldios e construções dilapidadas no eixo central da cidade.

Em pelo menos um ponto da rota da maratona Olímpica a prefeitura construiu na semana passada um muro bloqueando visualmente um pequeno cortiço, isolando a área contra a vontade dos moradores locais, reportou a imprensa estrangeira.

Além disso, para embelezar as calçadas, mais de 40 milhões de plantas ornamentais e flores foram plantadas nos canteiros da cidade.

'Pequim ficou verde'
"Pequim ficou verde do dia para a noite", conta a brasileira Tarsila Lemos Borges, que está na capital há quase dois anos e é professora de línguas.

"Nessa questão de Olimpíadas os chineses são muito obstinados mesmo e não brincam", observa ela.

Para fazer bonito, os chineses também investiram em treinamento e educação para os prestadores de serviço e a população.

Hotéis foram inspecionados e funcionários receberam cursos sobre como atender com maior hospitalidade e eficiência.

Mais de 90 mil taxistas e grupos de moradores enfrentaram aulas de inglês básico além de receberem cartilhas e treinamento sobre a etiqueta ocidental.

"O povo nas ruas e os taxistas são simpáticos e esforçados, mas ainda não falam inglês. Apesar das aulas, a grande maioria deles realmente não entende o que a gente diz", afirma Lemos Borges.

Os chineses aprenderam que aos olhos ocidentais não é educado furar filas, escarrar no chão, andar de pijamas na rua e perguntar quanto uma pessoa ganha de salário - práticas comuns no cotidiano do país.

Para garantir que os moradores entenderam a mensagem, o governo aplica uma multa de cerca de US$ 7 em quem desrespeita a fila.

"Só que ainda se vê muita gente escarrando na rua. Isso é forte na cultura deles e acho que não vai mudar facilmente", avalia o dono de restaurante Daniel Aldana, que mora em Pequim há 19 anos.

Voluntários
Mas apesar de acostumada com seus hábitos, a população local é bem-intencionada e está motivada a contribuir para o evento.

Ao todo mais de 25 milhões de pessoas se apresentaram ao governo para trabalhar voluntariamente.

Dessas, 1,5 milhão foram escolhidas para tarefas que variam desde dar informações aos visitantes até xeretar a vizinhança para garantir que não haverá protestos.

Um grupo de 800 mil torcedores foi treinado para fazer gestos de empolgação em sincronia e dizer palavras em inglês de apoio e estímulo aos atletas.

Construções
Talvez em nenhum outro aspecto fique mais evidente a dedicação chinesa aos jogos do que nas imponentes construções Olímpicas.

Além dos modernos prédios que abrigarão as competições, como o estádio Ninho de Pássaro e o Cubo de Água, também foram construídas grandes obras de infra-estrutura.

Ao todo, quatro novas linhas metroviárias e um trem expresso foram estabelecidos para facilitar a locomoção dos atletas e turistas durante os jogos.

A estimativa é de que os visitantes e moradores realizarão na média 21 milhões de viagens de metrô por dia durante o evento.

O trem de alta velocidade foi recém inaugurado e conecta Pequim à cidade vizinha e co-sede Tianjin.

Atingindo 350 quilômetros por hora, a locomotiva faz em 30 minutos um trecho que, de carro, costuma levar duas horas.

O aeroporto recebeu um terceiro terminal, que é o mais moderno e um dos maiores do mundo.

O projeto do arquiteto britânico Norman Foster foi inspirado pela forma de um dragão e custou mais de R$ 6,4 bilhões.

"Os lugares de competição são os melhores e mais bonitos do mundo e a infra-estrutura é fenomenal. Temos que dar os parabéns ao comitê organizador", disse à BBC Brasil Marcos Vinícius Freire, chefe da delegação brasileira, que está em Pequim.

"Nesse aspecto eles foram perfeitos", concluiu.

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