Preocupados com influência do Irã, árabes apóiam governo libanês

Os ministros árabes das Relações Exteriores devem se reunir domingo no Cairo a pedido de dois países influentes, a Arábia Saudita e o Egito que, preocupados com a crescente influência do Irã, expressaram seu apoio ao governo do Líbano.

AFP |

"A pedido da Arábia Saudita e do Egito, foi marcada para domingo no Cairo uma reunião extraordinária dos ministros árabes das Relações Exteriores para pôr um fim aos combates sangrentos no Líbano", informou nesta sexta-feira uma fonte da Liga Árabe.

O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa, interrompeu uma viagem aos Estados Unidos e voltou para a sede do movimento, no Cairo, para finalizar a organização desta reunião, afirmou à AFP seu adjunto Ahmed ben Helli.

Desde o início, na quarta-feira, dos enfrentamentos no Líbano entre partidários da oposição liderada pelo Hezbollah e simpatizantes do governo, os dirigentes árabes sempre insistiram na necessidade de respeitar e preservar as instituições, entre as quais o governo libanês de Fouad Siniora, e de resolver os problemas pelo diálogo.

Extra-oficialmente, eles estão muito preocupados com a ofensiva da oposição libanesa, que consideram como um instrumento do Irã.

O ministro egípcio das Relações Exteriores, Ahmed Abul Gheit, condenou nesta sexta-feira em comunicado "as tentativas de impor o fato consumado e de levar o Líbano para a armadilha do conflito entre tendências religiosas, que tem repercussões nos âmbitos interno libanês e regional".

Abul Gheit reiterou que o Egito "apóia o plano árabe sobre o Líbano, e principalmente a eleição de um presidente de consenso o mais rápido possível".

Mais cedo, um diplomata egípcio havia afirmado à AFP que "o Egito e outros países árabes estão muito preocupados com a atuação do Hezbollah no Líbano, que significa que o Irã quer controlar este país".

Os partidários armados da oposição tomaram o controle de vários bairros considerados como feudos do partido sunita pró-governo de Saad Hariri no oeste de Beirute, depois de três dias de combates que deixaram cerca de 12 mortos.

Abul Gheit confirmou o pedido do Egito de organizar com urgência uma reunião sobre o Líbano. Em Riad, um diplomata saudita afirmou que "devido à perigosa escalada no Líbano, a Arábia Saudita apóia a realização desta reunião".

A Jordânia também deu seu acordo, "para acabar com a crise política no Líbano", declarou o chanceler jordaniano, Salaheddin al-Bachir.

Os reis Abdullah II da Jordânia e Abdullah da Arábia Saudita conclamaram os libaneses a "voltarem à razão" para resolver a crise, segundo um comunicado do palácio real em Amã.

O rei Abdullah II da Jordânia insistiu na necessidade de retomar o diálogo. "É a única maneira de resolver a crise", afirmou.

O chanceler do Kuwait também "elogiou o pedido de uma reunião de emergência" da Liga Árabe para preservar "a segurança e a estabilidade do Líbano".

A Organização da Conferência Islâmica (OCI) declarou que seu secretário-geral, Ekmeleddin Ihsanoglu, pediu aos libaneses que elegessem o candidato do consenso à presidência, o general Michel Sleimane, como estipulado no plano de resolução da crise elaborado pela Liga Árabe.

O presidente do Iêmen, Ali Abdallah Saleh, sugeriu que Sleimane se encontre com as diferentes partes em conflito no Líbano para pôr um fim aos combates.

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