Preocupado em se posicionar de forma suprapartidária, Obama recebe McCain

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu ex-adversário republicano na corrida à Casa Branca, John McCain, desejaram nesta segunda-feira trabalhar juntos para mudar maus hábitos em Washington durante conversa de uma hora, acima de posições partidárias.

AFP |

Os dois pediram uma "nova era de reformas" para resolver a crise econômica, criar novas leis sobre a energia e garantir a segurança nacional.

"Neste momento marcante da história, acreditamos que os americanos de todos os partidos desejam, e precisam, que seus dirigentes trabalhem juntos para mudar o que tem que ser mudado em Washington, de tal forma que possamos resolver os desafios comuns e urgentes do nosso tempo", explicaram os dois homens em comunicado publicado depois de sua reunião em Chicago.

Qualificando a conversa de "produtiva", eles disseram ter concordado sobre a necessidade de "lançar uma nova era de reformas, durante a qual vamos combater o desperdício nos gastos públicos e os conflitos partidários de Washington".

Expressaram o desejo de atuar "para restaurar a confiança no governo e trazer de volta a prosperidade".

"Esperamos trabalhar juntos nos próximos dias e meses para enfrentar desafios essenciais como a crise financeira, a criação de uma nova economia da energia e a proteção de nossa segurança nacional", afirmaram os dois líderes no comunicado.

Desde a eleição, Obama nunca escondeu a intenção de convidar personalidades republicanas a integrarem seu governo.

O presidente eleito gosta de se comparar neste sentido ao ex-presidente republicano Abraham Lincoln, que se esforçou, a partir de 1861, para manter a unidade do país, durante uma sangrenta guerra civil marcada pelo confronto entre Norte e Sul.

Entretanto, segundo uma fonte próxima à equipe de transição, o presidente eleito não chegará a oferecer um cargo de ministro a McCain.

O senador de Arizona, que manteve durante a campanha uma postura de "franco-atirador" criticando os desvios da politicagem em Washington, é famoso por não duvidar em quebrar as barreiras partidárias e votar junto com os democratas no Senado, se o considerar necessário.

Porém, um de seus principais conselheiros, citado nesta segunda-feira pelo Wall Street Journal, frisou que ele vai aproveitar a reunião com Obama para tentar convencer o ex-adversário democrata a não precipitar a retirada das tropas americanas do Iraque.

O veterano da guerra do Vietnã é contrário a uma retirada precipitada do país árabe, que teria para ele um sabor de derrota.

Domingo, em declarações à rede CBS, Obama insistiu na necessidade de instalar rapidamente sua equipe de segurança nacional, lembrando que o país está mais vulnerável a eventuais ataques terroristas neste período de transição.

Obama e McCain se enfrentaram duramente sobre esta questão da segurança nacional durante a campanha. Os republicanos - e principalmente a candidata à vice-presidência, Sarah Palin - acusaram Obama de "conivência com os terroristas", lembrando as relações passadas do presidente eleito com o ex-militante de esquerda William Ayers.

De acordo com associações e especialistas, Obama também pode aproveitar a reunião para consultar McCain sobre a melhor maneira de fechar o campo de detenção de Guantánamo.

Dois universitários de Berkeley (Califórnia, oeste dos EUA) pediram quarta-feira passada à nova administração que nomeasse "uma comissão independente e neutra" para determinar as responsabilidades do governo Bush nos excessos da luta contra o terrorismo, como as detenções arbitrárias e sem julgamento, a tortura ou os grampos ilegais.

McCain, que passou cinco anos nas prisões norte-vietnamitas, onde foi torturado, seria um candidato interessante à presidência desta comissão.

Obama se encontrou quinta-feira com Hillary Clinton, sua adversária nas primárias democratas. O teor da conversa não foi revelado, mas o presidente eleito não desmentiu os rumores segundo os quais a ex-primeira-dama assumiria o cargo de secretária do Estado no novo governo norte-americano.

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