Preocupado com Doha, Amorim sugere empenho em acordos regionais

Diante da demora da conclusão de um acordo no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu nesta quinta-feira mais empenho nas negociações comerciais entre Mercosul e União Europeia. As incertezas em relação à Rodada Doha nos obrigam a buscar com mais empenho esse acordo a curto prazo, disse Amorim, ao lado do chanceler da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, em visita ao Brasil.

BBC Brasil |

Sem citar nomes, Amorim disse que "um dos atores principais ainda não deu sinais de que tenha verdadeiramente se engajado na Rodada Doha".

Estados Unidos, União Europeia, Índia e Brasil são os principais negociadores.

Bandeira
Desde novembro passado, os países que formam o G20 financeiro vêm apontando a retomada da Rodada Doha como uma das saídas para a crise econômica mundial, mas as conversas não avançaram.

As negociações estão congeladas desde julho de 2008, quando a falta de consenso entre Índia e Estados Unidos impediu a conclusão da Rodada.

Havia a expectativa de que a administração Obama pudesse dar novo fôlego às negociações, mas até o momento não houve uma sinalização oficial da Casa Branca sobre o assunto.

Segundo Amorim, o fato de o Brasil buscar acordos regionais ou bilaterais "não exclui" a discussão sobre Doha. "Mas é uma questão de concentração de esforços", disse o ministro. A conclusão da Rodada de comércio tem sido uma das principais bandeiras do Itamaraty.

Pragmatismo
Na avaliação de Amorim, a crise econômica mundial exige uma nova postura dos países.

"A própria evolução do mundo e da economia mundial recomenda um certo pragmatismo e um abandono, ou pelo menos uma colocação em segundo plano do fundamentalismo, de querer tudo e não conseguir nada", disse o ministro.

Os dois chanceleres disseram esperar que, com a Espanha na presidência da União Europeia, no próximo ano, o acordo com o Mercosul possa evoluir.

Segundo o chanceler brasileiro, "não há nenhuma grande diferença conceitual" nas negociações comerciais entre Mercosul e União Europeia.

"Diferentemente do que houve em outras tentativas de acordo, como a Alca, estamos trabalhando em um quadro consensual", disse.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG