Preocupação em todo o mundo após ofensiva israelense na Faixa de Gaza

A ofensiva israelense na Faixa de Gaza provocou neste domingo reações de preocupação e apelos ao cessar-fogo em todo o mundo, mas Israel conta com o apoio incondicional dos Estados Unidos, que bloquearam qualquer condenação das Nações Unidas.

AFP |

Manifestações contra a operação israelense reuniram dezenas de milhares de marroquinos em Rabat, quase 5.000 líbios em Trípoli e o mesmo número de australianos em Sydney e em Melbourne.

Dezenas de milhares de turcos protestaram em Istambul, e outros milhares se manifestaram na Indonésia, o maior país muçulmano do planeta.

Os esforços para encontrar uma solução diplomática são concentrados em três missões distintas: uma européia, outra conduzida pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a terceira protagonizada por um emissário russo enviado em emergência à região neste domingo.

Aliados incondicionais de Israel, os Estados Unidos impediram na noite de sábado no Conselho de Segurança da ONU a aprovação de um texto condenando a ofensiva, posicionando-se simplesmente em favor de "um cessar-fogo duradouro o mais rápido possível".

Porém, advertiu Washington, tal cessar-fogo não deve permitir a volta da situação que prevalecia na região antes do ataque israelense.

As tropas de Israel entraram na Faixa de Gaza na noite de sábado, após oito dias de bombardeios, para tentar acabar com os disparos de foguetes palestinos contra o Estado hebreu.

A delegação européia comandada pelo chanceler tcheco, Karel Schwarzenberg, conclamou neste domingo em Praga as duas partes a instaurarem um cessar-fogo.

O direito de Israel de se defender "não autoriza ações que afetem os civis", considerara mais cedo a presidência tcheca da União Européia (UE).

Em caso de acordo, a UE está disposta a enviar uma missão de observadores internacionais para garantir a paz, destacou o chefe da diplomacia européia, Javier Solana.

Num momento em que Sarkozy se prepara para efetuar, segunda e terça-feira, uma viagem à região para tentar desbloquear a situação, a França "condenou a ofensiva terrestre israelense contra Gaza, como condena o prosseguimento dos disparos de foguetes".

Na opinião da França, da Noruega e da Suécia, a escalada militar complica os esforços diplomáticos empreendidos para acabar com os combates.

Considerando o momento "muito perigoso", o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirmou que "é preciso trabalhar ainda mais para um cessar-fogo imediato".

A Espanha "exortou" Israel a pôr um fim à ofensiva terrestre.

Outros países europeus se mostraram mais conciliadores com o Estado hebreu. "Condenar Israel não adianta, pois é preciso tratar a questão dos dois lados. Enquanto os ataques com foguetes continuarem, Israel sempre dirá: 'não podemos aceitar isso', e eu entendo esta posição", declarou o primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende.

Da mesma forma, a Alemanha defendeu um cessar-fogo que garanta "a segurança de Israel no longo prazo", acabando com os disparos de foguetes do Hamas e com o contrabando de armas na Faixa de Gaza.

Dizendo-se "extremamente preocupada", a Rússia enviou neste domingo um emissário à região para contribuir com os esforços diplomáticos visando a obter um cessar-fogo.

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu durante quatro horas na noite de sábado sobre a situação em Gaza, mas não conseguiu chegar a um consenso sobre um texto pedindo o fim das hostilidades, devido à oposição dos Estados Unidos.

"O que aconteceu no Conselho de Segurança foi uma farsa, que mostra a amplitude da dominação exercida pela América e o ocupante sionista sobre as decisões do organismo", reagiu o Hamas.

Antes mesmo da reunião de emergência do Conselho, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pedira o fim imediato da ofensiva terrestre israelense.

Qualificando a entrada dos tanques israelenses na Faixa de Gaza de "terrível agressão", o Egito - um país muito importante nas negociações - convocou os embaixadores dos cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança para protestar contra a ausência de resolução da ONU.

Países tão diversos como a China, o Paquistão, a Jordânia e Grécia também pediram o fim imediato das operações militares.

O Papa Bento XVI defendeu "uma ação imediata para acabar com a situação trágica atual", e lamentou "a recusa do diálogo" que leva a situações que "prejudicam" as populações.

A Turquia "condenou" e considerou "inaceitável" o lançamento da ofensiva terrestre, que na opinião do Japão não fará nada além de "piorar" a situação.

O primeiro-ministro argelino, Ahmed Ouyahia, acusou o Estado hebreu de cometer "crimes contra a humanidade" contra a população de Gaza, e o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, afirmou que a Faixa de Gaza se tornará um "cemitério" para os israelenses.

bur/yw

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