Preocupação com dívidas de países europeus derruba bolsas

As bolsas europeias operam em baixa nesta sexta-feira, em mais um dia de queda puxada pela preocupação com a dívida pública de alguns países da zona do euro e novos dados sobre o desemprego nos Estados Unidos. À 13h50, hora de Brasília, o índice FTSE, da Bolsa de Londres, registrava baixa de 1,27%, o Dax, da Alemanha, caía 0,92% e o Cac 40, da Bolsa de Paris, também registrava queda, de 2,36%.

BBC Brasil |

No mesmo horário, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, recuava 0,06%, recuperando perdas registradas mais cedo.

Na Ásia, os mercados fecharam em queda. O índice Nikkei do Japão fechou em baixa de quase 3%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 3,1% e o índice Composite, da Bolsa de Xangai caiu 2,4%
Na quinta-feira, o índice americano Dow Jones registrou queda de 2,6% e alguns dos principais mercados europeus perderam mais de 2%.

Analistas acreditam que as baixas foram causadas pela crescente preocupação com o nível de endividamento de países europeus como Portugal, Grécia, Espanha e Irlanda.

Os investidores temem que esses países não consigam financiar seus déficits públicos, fazendo da Europa o próximo estopim de uma crise financeira.

Na quinta-feira, a divulgação de dados que indicam o aumento do número de desempregados procurando benefícios nos Estados Unidos também contribuiu para aumentar a preocupação com a solidez da recuperação econômica mundial.

Nesta sexta-feira, o governo americano anunciou uma pequena queda na taxa oficial de desemprego, de 10% para 9,7%
Zona do Euro
Assim como os Estados Unidos, a Europa vem saindo da recessão lentamente. Os governos da França e da Alemanha, as duas maiores economias da zona do euro, tentaram colocar a casa em ordem rapidamente.

Mas nas últimas semanas vem crescendo a preocupação de que um fenômeno antes confinado à Grécia esteja se espalhando pelo continente.

A Grécia entrou para a zona do euro em 2001, mas, enquanto a economia ia bem, o país optou por não resolver o problema do buraco em seu orçamento, pelo contrário, foi durante esse período que houve um grande aumento na folha de pagamento do governo.

Inicialmente, os investidores não se preocuparam com a situação, mas o medo voltou a crescer desde outubro quando o governo grego reconheceu que vinha maquiando suas estatísticas para disfarçar a situação fiscal.

A Grécia agora admitiu que seu déficit público chega a 13% de seu Produto Interno Bruto, bem acima dos 3% previstos nas regras para os países membros da zona do euro. A bolsa de valores de Atenas caiu 3,89% na quinta-feira.

No mesmo dia, o governo da Espanha tentou diminuir a importância de seu déficit público, que chegou a 11,4% de seu PIB. O desemprego no país também é um dos mais altos da Europa, e chega a 19%. A queda do índice Ibex da Bolsa de Madri foi de 5,94%.

Em Portugal, onde o déficit público chega a 9,3% do PIB, o governo tenta recuperar a confiança do investidor, diante do medo de que o país não consiga consolidar suas contas e acabe tendo que decretar moratória.

Recuperação econômica
A preocupação com o nível das dívidas está alimentando o temor pela solidez da recuperação econômica global, afirmam analistas.

Alguns investidores acreditam que o recente crescimento é resultado direto dos pacotes dos governos para estimular a demanda.

Se eles pararem de injetar dinheiro no mercado, os analistas temem que as economias voltem a encolher.

O aumento descontrolado do déficit público limita a capacidade dos governos de gastar mais dinheiro com pacotes de estímulo econômico.

Na quinta-feira, o presidente do Banco Central Europeu, Jean Claude Trichet, tentou aumentar a confiança nas finanças públicas da zona do euro, mas manteve a pressão sobre alguns membros para que mantenham suas dívidas sob controle.

Segundo Trichet, o déficit fiscal da zona do euro está bastante saudável se comparado com o de países individuais. Ele afirmou que os mercados financeiros não estão apreciando "o tipo de solidez encontrado na zona do euro".

A previsão para os déficits fiscais em 2010 mostra a Grã-Bretanha e a Espanha com déficit superior a 10% de seu PIB, e os Estados Unidos com déficit de cerca de 10%. O déficit da zona do euro ficaria pouco acima dos 6%.

Mas Trichet lembrou que é fundamental que os países cujos déficits estão fora de controle apresentem "saídas estratégicas".

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