Prêmios Rei da Espanha reconhecem o jornalismo valente e comprometido

María Luisa González. Madri, 29 jan (EFE).- O jornalismo valente e comprometido foi reconhecido na 26ª edição do Prêmio Internacional Rei da Espanha, que hoje apontou como vencedores profissionais de Brasil, Chile, Colômbia, México e Espanha.

EFE |

Os prêmios, concedidos anualmente pela Agência Efe e pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), destacaram este ano trabalhos de denúncia como o realizado por uma equipe do jornal "O Dia", cujos autores correram grave perigo ao realizá-lo.

Sob o título "Milícias - Política do Terror", a reportagem publicada no jornal em junho de 2008 recebeu o Prêmio na categoria Imprensa.

A autora da matéria e seus dois colaboradores, cujos nomes não foram revelados "para proteger sua integridade física", foram sequestrados e torturados durante a realização da reportagem, que trata de milícias que controlam favelas do Rio de Janeiro.

O júri, liderado pelo presidente da Agência Efe, Álex Grijelmo, e pela secretária de Estado espanhola de Cooperação Internacional, Soraya Rodríguez, afirmou que este prêmio "quer servir de estímulo ao trabalho que desenvolvem os jornalistas na América Latina em condições de insegurança".

Além disso, deseja prestar "uma homenagem a todos os jornalistas assassinados no cumprimento de seu trabalho e na busca da verdade".

Esta busca guiou o jornalista chileno Amaro Gómez-Pablos, que obteve o Prêmio na categoria de Televisão por seu trabalho "Guantánamo, acceso exclusivo a la cárcel más controvertida".

O júri destacou que a reportagem "alcança uma exposição correta do contexto histórico" e "analisa de forma equilibrada o problema de diferentes ângulos" com um resultado que "é uma alegação em favor do respeito aos direitos humanos".

Após quase dois anos de conversas, a TV chilena obteve a autorização para gravar no interior da prisão que os Estados Unidos têm na ilha cubana.

O "compromisso social" do espanhol Gervasio Sánchez foi mencionado também pelo júri na concessão do Prêmio na categoria de Fotografia a este veterano fotógrafo e jornalista, testemunha dos principais conflitos internacionais dos últimos anos.

O prêmio lhe foi concedido por uma foto da série "Vidas minadas, 10 años después", resumo de um projeto fotográfico realizado em 1995 sobre o impacto das minas antipessoais sobre algumas comunidades do mundo, entre elas Afeganistão, Angola e Camboja.

A denúncia social também está presente na reportagem "La discriminación viaja por Avianca", que valeu às mexicanas Jade Ramírez Cuevas Villanueva e Priscila Hernández Flores o Prêmio na categoria de Rádio.

Em seus 23 minutos de duração, a reportagem narra a aventura que viveu em 2007 Alejandro Anguiano, um cego mexicano que comprou um bilhete para viajar em um avião da companhia aérea colombiana Avianca e que não foi admitido no voo por causa de seu problema físico.

Já a colombiana Paola Andrea Villamarín e sua equipe conquistaram o Prêmio na categoria de Jornalismo Digital por causa da "alta qualidade" e do "correto manejo de diversos suportes" que fizeram em uma reportagem que relata o dia a dia nas áreas mais conflituosas pela luta contra o narcotráfico em seu país.

O trabalho, publicado no dia 4 de abril de 2008 no site "eltiempo.com", leva o título "10 historias inéditas en la cultura colombiana", do qual o júri destaca o "interesse humano e social".

Da Colômbia e das dificuldades da vida em algumas localidades deste país trata também o trabalho que mereceu o Prêmio Don Quixote, "Atlas es chocoano", realizado por Julián Orlando Isaza Niño, no qual revela a dureza e "anacronismo estranho" do ofício das pessoas que trabalham transportando sobre seus ombros móveis, utensílios e pessoas através de remotos caminhos da floresta colombiana.

O jornalismo voltado para fatos históricos recebeu também sua recompensa por meio do espanhol Mikel Urretavizcaya, que obteve o Prêmio Ibero-americano por seu documentário televisivo "El secreto de Urdaneta".

A obra sobre o navegante Andrés de Urdaneta é, segundo o júri, "um excelente exemplo de jornalismo histórico" que "consegue resgatar do esquecimento um personagem que, por sua contribuição, deve se situar à altura de figuras da talha de Cristóvão Colombo e James Cook".

Os prêmios serão entregues pelo Rei da Espanha em uma data a ser determinada. EFE mlg/fal

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