Oviedo (Espanha), 18 jun (EFE).- O semiólogo e historiador francês de origem búlgara, Tzvetan Todorov, referência clara e indiscutível no panorama intelectual de nosso tempo, foi distinto hoje com o Prêmio Príncipe de Astúrias de Ciências Sociais, entregue na cidade de Oviedo (Espanha).

Autor de uma obra decisiva no pensamento europeu contemporâneo, o júri avaliou "as preocupações intelectuais e a erudição" do semiólogo, "que superam fronteiras e buscam pontos de encontro".

Além disso, o júri considerou sua obra, traduzida para 25 idiomas, "decisiva no pensamento europeu contemporâneo".

Representante de um rigoroso método estruturalista, que aplicou à literatura e à crítica literária, Todorov foi evoluindo para a análise cultural e da história das idéias.

O júri destacou "suas preocupações intelectuais, sua sabedoria e erudição, que superam fronteiras e buscam pontos de encontro e o permitiram abranger grandes temas de nosso tempo, como o desenvolvimento das democracias, o entendimento entre as culturas, o desenraizamento, o reconhecimento do outro e o impacto da violência na memória coletiva".

Nascido em Sófia (Bulgária) em 1939, mudou-se para Paris nos anos 60 e se nacionalizou francês.

Para o júri, Todorov "representa neste momento o espírito da unidade da Europa, do Leste e do Oeste, e o compromisso com os ideais de liberdade, igualdade, integração e justiça".

Definido por si mesmo como "historiador das idéias", Todorov chegou às últimas votações junto com o economista americano Jeffrey D. Sachs.

Professor e pesquisador do Centro de Pesquisa das Artes e da Linguagem e do Centro de Linguagem da Escola de Altos Estudos Sociais, ambos em Paris, também lecionou em várias universidades dos Estados Unidos, como Yale, Harvard, Columbia e Califórnia-Berkeley.

Entre suas obras figuram "O jardim imperfeito", "Memória do mal, tentação do bem" (uma excepcional análise do século XX), "A nova desordem mundial: reflexões de um europeu", "A conquista da América: a questão do ouro", "Nós e os outros: a reflexão francesa sobre diversidade humana" e "O homem desenraizado".

Sua obra serviu como pilar para os estudos lingüísticos, especialmente do campo da Semiótica.

Entre as 36 candidaturas que disputavam o prêmio estavam o Fórum Econômico Mundial, a rede de televisão "Bloomberg", a ex-primeira-ministra norueguesa Gro Harlem Brundtland e o sociólogo francês Alain Touraine.

O júri, presidido pelo político espanhol Manuel Fraga, também foi integrado pela presidente do Tribunal Constitucional espanhol, María Emilia Casas, pelo diretor da Real Academia da História, Gonzalo Anes, pela diretora da Fundação para a Ética dos Negócios e das Organizações, Adela Cortina, e pelo reitor da Universidade Autônoma de Madri, Ángel Gabilondo.

O prêmio oferece 50 mil euros (US$ 77.600), uma escultura criada e doada por Joan Miró, um diploma e uma insígnia.

O Prêmio Príncipe de Astúrias de Ciências Sociais é o quinto a ser concedido este ano pela fundação de mesmo nome, após as distinções de Artes (para as Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela) e Cooperação Internacional (quatro organizações que lideram a luta contra a malária na África).

Além disso, na semana passada foram concedidos os prêmios de Pesquisa Científica e Técnica (para cinco pesquisadores especializados na aplicação de novos materiais na ciência) e de Comunicação e Humanidades (para a Google).

Na próxima semana será concedido o Prêmio Príncipe de Astúrias de Letras, enquanto os de Esportes e da Concórdia serão dados em setembro. EFE rm/wr/fal

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