Prêmio Nobel de Física premia estudos sobre a composição da matéria

Estocolmo, 7 out (EFE).- A Academia Real Sueca de Ciências premiou hoje com o Nobel de Física de 2008 os trabalhos de três cientistas de origem japonesa sobre as simetrias que foram determinantes para a compreensão da física subatômica e, por extensão, da composição da matéria.

EFE |

O japonês naturalizado americano Yoichiro Nambu recebeu menção especial por descobrir o mecanismo da quebra espontânea de simetria.

Já os japoneses Makoto Kobayashi e Toshihide Maskawa foram premiados por descobrirem a origem da dupla quebra da simetria, que indica a existência de pelo menos três famílias de quarks (elementos fundamentais da matéria) na natureza, afirma a Academia.

Na base de seus estudos estão as leis ocultas da simetria e de sua quebra, que existem desde a origem do universo e fazem parte de nossa vida diária.

A teoria básica da simetria para partículas elementares descreve três princípios - de paridade, de carga e de tempo -, que simplificam muito os cálculos matemáticos e geram grande quantidade de leis de conservação.

O sonho dos físicos de elaborar um modelo perfeito sobre a matéria foi derrubado após a Segunda Guerra Mundial, principalmente através dos novos aceleradores, que descobriram partículas nunca vistas até então e que não se encaixavam nos modelos da época.

Tratavam-se de prótons, elétrons, nêutrons e quarks, que proporcionaram a descoberta das primeiras quebras de simetria.

Primeiro foram os chineses naturalizados americanos Tsung Dao Lee e Chen Ning Yang, que em 1956 questionaram o princípio da paridade através de uma teoria comprovada pouco tempo depois.

Em 1964, os também americanos James Cronin e Val Fitch descobriram a quebra da simetria CP (carga-paridade), demonstrando que as interações das partículas subatômicas não são independentes do tempo.

Esta quebra desempenha um papel importante na cosmologia e pode explicar a existência de mais matéria do que antimatéria no universo.

Todos eles receberam o Nobel por suas descobertas.

No entanto, faltava averiguar o porquê destas quebras de simetrias, o que foi feito por Kobayashi e Maskawa em 1972 através da chamada "matriz 3x3".

Kobayashi e Maskawa a explicaram dentro do "modelo padrão", que unifica as partículas elementares e três das quatro forças fundamentais (exceto a da gravidade), mas o ampliando com a existência de três famílias de quarks.

Quase três décadas após este modelo elaborado de forma teórica pelos dois cientistas japoneses, o mesmo apareceu em experiências físicas, dando razão a seus prognósticos.

Porém, o "modelo padrão" não explica, entre outras coisas, as diferenças de massas entre as forças.

A explicação mais aceita é que outra quebra espontânea de simetria destruiu a original e deu a cada partícula sua massa (mecanismo de Higgs).

Esta teoria não teria sido possível sem a descoberta por Nambu, em 1960, da quebra da simetria espontânea enquanto realizava cálculos teóricos sobre a supercondutividade.

Nambu a traduziu depois ao mundo das partículas elementares, e as ferramentas matemáticas usadas por ele ainda influenciam no "modelo padrão".

Nascido em Tóquio em 1921, mas posteriormente naturalizado americano, Nambu fez descobertas decisivas em campos como a termodinâmica, que renderam para ele prêmios como a Medalha Nacional de Ciências dos Estados Unidos e a Ordem de Cultura do Japão.

O pesquisador lecionou na Universidade de Tóquio e é professor emérito do Instituto Enrico Ferni da Universidade de Chicago.

Kobayashi, por sua vez, nasceu na cidade japonesa de Nagóia em 1944, em cuja universidade obteve o doutorado em 1972 e é professor no Laboratório de Física de Alta Energia, em Tsukuba.

Já Maskawa, nascido em 1940, também se formou na Universidade de Nagóia em 1962 e é professor emérito do Instituto de Teoria da Física da Universidade de Kioto.

Ambos receberam o Prêmio J.J. Sakurai da Sociedade de Física Americana.

Nambu levará metade do prêmio de 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,4 milhão), enquanto Kobayashi e Maskawa dividirão a outra.

Amanhã, haverá o anúncio do Nobel de Química, na quinta-feira será a vez do de Literatura e na sexta-feira o da Paz. O ciclo da premiação será fechado na segunda-feira da próxima semana com o de Economia. EFE alc/ev/fal

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