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Premier irlandês muito criticado por vitória do não ; UE busca saída

O primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, foi bombardeado com críticas após a vitória do não no referendo sobre o Tratado de Lisboa, ao mesmo tempo que a União Européia (UE) se diz determinada a prosseguir com o processo de ratificação.

AFP |

Dezoito dos 27 países da UE já ratificaram o Tratado de Lisboa por via parlamentar. Porém, a Irlanda, único país onde o processo foi submetido a referendo, rejeitou o texto de reforma das instituições comunitárias por 53,4% a 46,6% dos votos.

O premier irlandês foi muito criticado pela imprensa do país.

"Apenas um mês depois de ter se tornado Taoiseach (chefe de governo em gaélico), Cowen fracassou em seu primeiro teste como primeiro ministro", afirma o Irish Independent, sob a manchete "O pesadelo de Cowen".

Cowen assumiu o poder no dia 7 de maio, no lugar de Bertie Ahern, que foi obrigado a renunciar por suspeitas de corrupção.

"Atingido em pleno rosto", afirma o Irisj Daily Star sobre uma foto de Cowen com a bochecha ensanguentada.

Agora os irlandeses debatem a possibilidade de convocar um segundo referendo.

Em 2001 os irlandeses também disseram "não" ao Tratado de Nice, mas o governo organizou uma nova votação um ano mais tarde, depois de ter recebido garantias de Bruxelas sobre a neutralidade militar da ilha. O "sim" conseguiu assim a vitória.

"A única opção de fato para Cowen é convocar um novo referendo", considera o Independent. No entanto, a hipótese é julgada "irrisória" pelo Irish Examiner.

Cowen não descartou nenhuma possibilidade. O secretário de Estado de Integração, Conor Lenihan, porém, se mostrou pouco entusiasmado a respeito de um novo referendo, por considerar que o risco para a Europa e a Irlanda é muito grande.

Os analistas lembraram que desta vez o governo não poderia, como fez em 2001, justificar uma segunda votação sob alegação de escassa participação (35% na ocasião), já que na quinta-feira o índice foi superior a 53%.

Os países da UE afirmaram que pretendem prosseguir com o processo, apesar do "não" irlandês.

"O Tratado de Lisboa não está morto. Os dirigentes europeus deverão decidir durante a reunião de cúpula de 19 e 20 de junho como continuar", afirmou o presidente do Executivo de Bruxelas, José Manuel Durão Barroso.

"Porém, está claro que o Tratado não entrará em vigor em 1º de janeiro de 2009, como estava previsto", destacou o premier luxemburguês Jean-Claude Juncker.

"Esperamos que os outros Estados membros continuem o processo de ratificação", afirmou a chanceler alemã Angela Merkel.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, pediu neste sábado o prosseguimento do processo de ratificação do Tratado Europeu para que o "não" da Irlanda ao texto em um referendo "não se transforme em uma crise".

Durante uma entrevista coletiva conjunta com o presidente americano George W. Bush, Sarkozy declarou que o "não" irlandês constitui "uma dificultade a mais" no processo de reformas das instituições européias.

"É uma realidade política, o povo irlandês se pronunciou e é preciso aceitar", comentou.

Até a Grã-Bretanha, onde o sentimento eurocético é forte, confirmou que vai continuar com o processo.

lv/fp

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