Premiê turco vai ao Egito buscando ampliar influência regional

Giro por Egito, Líbia e Tunísia deve ser observada por Israel, que recentemente sofreu abalos nas relações com Ancara e Cairo

iG São Paulo |

O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, chega nesta segunda-feira ao Egito para uma visita que deve ser atentamente observada por Israel, que nos últimos tempos sofreu abalo nas relações antes positivas com esses dois países islâmicos.

Erdogan, que se reunirá com os chefes da junta militar egípcia, visitará também a Líbia e a Tunísia durante um giro de quatro dias. Erdogan, porém, descartou visitar o território palestino da Faixa de Gaza a partir do Egito. "Minha visita a Gaza está descartada. Mas quero dizer que tenho muita vontade de visitar o território o quanto antes", disse Erdogan a uma emissora em Istambul.

Em meio à Primavera Árabe , os três países do roteiro derrubaram neste ano regimes que duravam décadas, e a presença dele é vista como um sinal da ambição turca de fortalecer sua influência pelo Oriente Médio e o mundo árabe - uma posição que alcançou em parte por desafiar Israel no cenário internacional.

"Haverá certamente uma rivalidade sobre o papel regional. O Egito não está em condições de exercer tal papel no momento, então Erdogan tenta se aproveitar disso", afirmou Adel Soliman, diretor do Centro Internacional para Estudos Estratégicos e do Futuro, do Cairo.

A Turquia vive numa crise com Israel há mais de um ano, desde que militares israelenses mataram nove ativistas turcos em um barco que tentava se aproximar da Faixa de Gaza. Antes de partir para o Egito, Erdogan disse nesta segunda-feira que o ataque à flotilha era "causa para um guerra", mas disse que seu país mostrou "paciência" e se conteve em adotar qualquer retaliação.

Em uma recente entrevista à rede de TV árabe Al-Jazira, Erdogan caraterizou como "ilegal" o assalto israelense que causou a morte de oito turcos e de um cidadão turco-americano a bordo de um navio que tentava romper o bloqueio ao território palestino. "É um motivo para uma guerra, mas decidimos agir de acordo com a demostrada grande paciência da Turquia", afirmou.

A Turquia se ressente do fato de Israel não se desculpar pela ação com a justificativa de que agiu em autodefesa. Um relatório da ONU sobre o assalto, divulgado no início deste mês, indicou que o bloqueio naval de Israel era legítimo , mas acusou o Estado judeu de usar "força excessiva" na ação.

Em resposta, a Turquia suspendeu neste mês suas relações militares com Israel, expulsou os diplomatas israelenses graduados , prometeu fazer campanha em apoio ao reconhecimento pela ONU do Estado palestino e disse que futuramente enviará a Marinha turca para escoltar navios com ajuda humanitária a Gaza.

A visita de Erdogan ao Cairo coincide com relações cada vez mais estremecidas com o Egito, que reclamou da incursão militar israelense na Península do Sinai, numa perseguição a supostos militantes palestinos, mas que resultou na morte de cinco militares egípcios . O incidente causou indignação popular no Egito, e no fim de semana uma multidão invadiu a embaixada de Israel no Cairo .

*Com Reuters e AP

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