Com 51% dos votos, partido conservador não consegue maioria que autorizaria líder a mudar a Constituição

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Resultados preliminares das eleições deste domingo na Turquia mostram que o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan e seu partido vão permanecer no poder por um terceiro mandato. Com 90% das urnas apuradas, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AK) obteve 51% dos votos, o que representa 326 assentos no parlamento.

Segundo o correspondente da BBC em Istambul Jonathan Head, esse resultado dá uma confortável maioria para o AK, mas frustra as esperanças do partido de obter maioria de dois terços (faltaram 41 assentos), o que autorizaria o premiê a fazer mudanças unilaterais na Constituição.

O premiê turco Recep Tayyip Erdogan acena para partidários, ao lado da mulher Emine Erdogan
Reuters
O premiê turco Recep Tayyip Erdogan acena para partidários, ao lado da mulher Emine Erdogan


O principal opositor do AK era o Partido do Povo Republicano (CH), que apostou em candidatos mais novos para atrair jovens eleitores e obteve 26% dos votos. Outro rival era o Partido Movimento Nacionalista (MH), que ficou com 13%. Os dois partidos obtiveram votação acima dos 10% necessários para entrar no Parlamento.

Supermaioria
Foi justamente o fato de o MH ter conseguido superar esses 10% que fez com que o partido governista não conseguisse a chamada "supermaioria". Agora, o AK só conseguirá aprovar mudanças constitucionais após a realização de um referendo. Apesar da vitória do AK, ele conseguiu menos cadeiras do que nas últimas eleições, em 2007, enquanto a oposição se fortaleceu. O AK ficará com 13 cadeiras a menos, enquanto o CH terá 136 assentos e o MH, 56 – respectivamente, 24 e 15 a mais do que na votação de quatro anos atrás.

O conservador AK, de raízes islâmicas, tem a seu favor uma gestão que governou durante um período de forte crescimento econômico. Em março, o desemprego na Turquia foi de 11,5% – uma queda forte em relação aos 14,4% registrados no mesmo mês do ano anterior. Head afirma que o AK apostou no carisma de Erdogan, que é popular entre muitos turcos. Já o CH, sob o comando de Kemal Kilicdaroglu, se esforçou para deixar para trás a imagem de ser a favor de intervenções militares e se apresentou como alternativa secular, defendendo valores social-democratas europeus. O partido não chegava ao poder havia 30 anos.

'Orgulho'
Ao votar, Erdogan disse que esperava que a eleição "contribuísse para o fortalecimento da paz, dos direitos humanos e da liberdade". Antes de entrar no posto de votação, ele cumprimentou partidários, que o aplaudiam e gritavam frases como "A Turquia tem orgulho de você". Durante a campanha, ele afirmou que as mudanças constitucionais que queria fazer lhe dariam condições de modernizar o sistema político da Turquia. Seus críticos, no entanto, afirmavam que seu objetivo era o de ampliar ainda mais seu tempo no poder.

Entre as principais promessas do partido AK estava um ambicioso programa de modernização de infraestrutura, com projetos como a construção de canais , pontes, aeroportos, hospitais e até uma nova cidade nos arredores de Istambul . A Turquia é integrante da aliança militar Otan e postula uma vaga na União Europeia. Mais de 50 milhões de turcos – cerca de dois terços da população de 73 milhões – estavam aptos para votar.

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