Por Nopporn Wong-Anan BANGCOC (Reuters) - O primeiro-ministro da Tailândia, Somchai Wongsawat, rejeitou na quarta-feira o apelo do comandante do Exército para que renuncie diante dos crescentes protestos no país.

Falando em rede nacional, Somchai disse que seu governo foi democraticamente eleito e trabalhará "pelo bem do país". Ele também ameaçou tomar medidas não especificadas contra os protestos da Aliança Popular pela Democracia (APD), que o acusa de ser um fantoche do primeiro-ministro deposto Thaksin Shinawatra, seu cunhado.

Sua recusa em convocar uma eleição antecipada, conforme sugeriu o general Anupong Paochinda numa entrevista coletiva horas antes, ampliou as especulações de que um golpe seria iminente, apesar de Anupong ter desmentido tal intenção.

O comandante militar disse na entrevista que o premiê "deveria dissolver o Parlamento e convocar uma eleição antecipada" para tentar controlar uma crise que se arrasta há quatro anos.

Somchai desembarcou na Tailândia após participar de uma cúpula no Peru, e encontrou um país à beira de uma conflagração. Em Chiang Mai (norte), um grupo governista matou a tiros um ativista da APD, depois de arrastá-lo para fora do seu carro, segundo a polícia. Foi o primeiro incidente grave fora da capital.

O general Anupong também pediu na entrevista coletiva que a APD desocupe o aeroporto internacional Suvarnabhumi, onde todos os vôos foram cancelados, deixando milhares de turistas retidos.

Horas depois, um tribunal concedeu uma liminar exigindo que o grupo deixe o aeroporto, um dos maiores da Ásia, por onde passam quase 15 milhões de turistas que visitam a Tailândia por ano.

Anupong reiterou que não pretende realizar um golpe, como há dois anos, quando os militares depuseram Thaksin. Ele disse que uma nova quartelada não irá suturar as divisões entre a elite de Bangcoc, que odeia Thaksin, e as massas camponesas que o adoram.

Suriyasai Katasila, porta-voz da APD, disse que o grupo continuará ocupando o aeroporto, apesar da liminar e do apelo do general. "Não vamos nos retirar. Não saímos enquanto Somchai não renunciar", disse ele a jornalistas.

Os vôos domésticos no antigo aeroporto Don Muang também estão suspensos, o que torna a capital tailandesa praticamente inacessível por via aérea.

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