Premiê tailandês diz que evitará força para desalojar protesto

O primeiro-ministro da Tailândia, Samak Sundaravej, disse nesta quinta-feira que não usará força para retirar os mais de 10 mil manifestantes que ocupam o prédio do governo desde terça-feira.

BBC Brasil |

Sundaravej disse ter todos os "argumentos legais" para reagir contra os ativistas, mas evitará um banho de sangue. "Tenho uma espada, mas resolvi não usá-la", disse o premiê.

Sundaravej ordenou a retirada de todos os policiais que cercavam o local desde a quarta-feira e decidiu que os manifestantes, liderados pela Aliança Democrática do Povo, poderão continuar ocupando o prédio da residência e o gabinete do primeiro-ministro.

As táticas utilizadas pelo premiê para combater os manifestantes vêm mudando nos últimos dias. Na noite de quarta-feira ele ordenou o posicionamento das forças policiais em frente ao prédio depois que o Tribunal Civil de Bangcoc emitiu mandatos de prisão contra nove líderes do movimento.

Para se proteger, os ativistas fizeram uma corrente humana em torno dos líderes do movimento, e construíram barricadas com pneus e arame farpado para conter o avanço policial.

Marionete

Segundo o correspondente da BBC em Bangcoc Jonathan Head, o movimento não conta com grande simpatia entre a população, mas tem o apoio de grupos com grande poder financeiro e de setores do Exército.

Entretanto, segundo o repórter, o comandante do Exército já avisou que suas tropas não vão se envolver na polêmica, e é provável que a polícia não tenha homens e equipamentos suficientes para barrar os manifestantes.

O movimento exige a renúncia de Sundaravej, taxando-o de marionete do ex-premiê Thaksin Shinawatra, derrubado em um golpe militar em 2006.

Thaksin, que deixou a Tailândia para evitar processos de corrupção, vive exilado em Londres.

O impasse é mais um de uma série de agitações da Aliança do Povo pela Democracia nos últimos meses. A manifestação começou na terça-feira, com mais de 30 mil pessoas nas ruas de Bangcoc.

Alguns homens mascarados invadiram a televisão estatal e pelo menos três Ministérios do governo, antes de se dirigir ao prédio onde fica a residência do primeiro-ministro.

O governo de Samak tem maioria no Parlamento. O premiê alega que seu mandato conquistado nas eleições de dezembro é democrático e garante que não renuncia. Mas as declarações não têm conseguido diminuir a intensidade do movimento anti-Thaksin.

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