Premiê tailandês descarta dissolver Parlamento e convocar eleições

(acrescenta mensagem à nação do primeiro-ministro e outros dados) Gaspar Ruiz-Canela. Bangcoc, 26 nov (EFE) - O primeiro-ministro da Tailândia, Somchai Wongsawat, rejeitou hoje a solução política do chefe do Exército da Tailândia, general Anupong Paochinda, de dissolver o Parlamento e convocar eleições, para resolver a profunda crise. Fui eleito em uma democracia sob a monarquia constitucional, destacou o governante tailandês, poucas horas depois do apelo feito pelo general Paochinda. Em mensagem retransmitida pela imprensa, Wongsawat anunciou que tinha exigido que os responsáveis das forças de segurança detivessem os responsáveis dos protestos e restabelecem a ordem. Aos líderes e seguidores da Aliança do Povo para a Democracia, que pedem sua renúncia com protestos desde maio, pediu que parem as mobilizações e que desocupem a sede do Governo - na qual estão desde 26 de agosto - e o aeroporto internacional de Suvarnabhumi, o principal do país, no qual se instalaram na terça-feira. Antes que o primeiro-ministro se dirigisse à nação, o general Paochinda destacou em entrevista coletiva, que suas recomendações não deviam ser interpretadas como uma intervenção militar. Isso não é um levante. O Governo continua tendo total autoridade.

EFE |

Esses pontos são a via para resolver o problema que colocou o país em uma crise profunda", declarou Paochinda em entrevista coletiva após uma reunião de duas horas com autoridades, empresários e acadêmicos.

O general disse que o primeiro-ministro da Tailândia deve dar o primeiro passo com a dissolução do Legislativo, enquanto a Aliança do Povo para a Democracia têm que pôr fim à mobilização.

Em seu retorno à Tailândia, após ter participado da cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), realizada no final de semana no Peru, Wongsawat não se pronunciou sobre a proposta feita pelo chefe do Exército, que já tinha recomendado essa solução anteriormente.

No entanto, o porta-voz do Governo tailandês, Nattawut Saikuar, declarou à televisão estatal que "o primeiro-ministro disse várias vezes que não renunciará porque foi eleito democraticamente. Isso continua valendo".

Em vez de ficar em Bangcoc, Wongsawat buscou na capital vários membros de seu Gabinete, e, no mesmo avião que o trouxe de volta à Tailândia, seguiu para a cidade de Chiang Mai, no norte do país e reduto de sua legenda, Partido do Poder do Povo (PPP).

Wongsawat deve retornar a Bangcoc para ser recebido em audiência pelo rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej, que interveio na crise de 1992 para acabar com os confrontos entre o Governo e os manifestantes, liderados na época pelo ex-governador de Bangcoc Chamlong Srimuang, agora um dos líderes do grupo opositor.

Os líderes dos protestos reiteraram que qualquer solução passa pela renúncia incondicional do primeiro-ministro e de seu Gabinete, e afirmaram que a dissolução do Parlamento não resolverá a crise.

O aeroporto internacional de Suvarnabhumi, em Bangcoc e um dos mais movimentados da Ásia, suspendeu todos os vôos, depois que milhares de militantes da Aliança do Povo para a Democracia, munidos de pedaços de madeira e barras de metal, invadiram o terminal e tomaram uma torre de controle do tráfego aéreo.

Pelo menos dez mil turistas foram prejudicados com o cancelamento dos vôos e cerca de quatro mil foram retirados da área de vôos internacionais de Suvarnabhumi.

O fechamento temporário de Suvarnabhumi, por onde passam diariamente 125 mil passageiros e cujas pistas recebem em média 76 aviões por hora, obrigou o cancelamento de 292 vôos. A paralisação representa perdas diárias de 53 milhões de bahts (US$ 1,5 milhão) apenas em pedágios por aterrissagens e decolagens.

No começo da manhã, 12 pessoas ficaram feridas em várias explosões de granadas de mão lançadas contra manifestantes concentrados em Suvarnabhumi e no antigo aeroporto de Don Muang, onde o primeiro-ministro e seu Gabinete estão instalados temporariamente.

A sede do Governo está tomada há três meses pelos manifestantes, que transformaram o local em um acampamento com comida e bebida grátis.

"Os manifestantes deixarão os dois aeroportos e a sede do Governo quando o primeiro-ministro renunciar", afirmou Sondhi Limthongkul, o principal dirigente da Aliança do Povo para a Democracia e dono de vários meios de comunicação. EFE grc/jp/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG