Premiê romeno renuncia após protestos contra governo

Presidente nomeia chefe da inteligência novo premiê; ele terá que formar governo, a ser aprovado pelo Parlamento em 60 dias

iG São Paulo |

O primeiro-ministro romeno, Emil Boc, renunciou nesta segunda-feira, cedendo aos protestos que reuniram milhares de civis no último mês contra as medidas de austeridade no país e juntando-se a outros governos da União Europeia abatidos pela crise financeira .

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Emil Boc deixa a sede do partido Democrata-Liberal em Bucareste, na Romênia

Boc, 45 anos, no poder desde 2008, justificou a renúncia como uma tentativa de "aliviar a situação política e social do país". Milhares de romenos tomaram as ruas em janeiro para protestar contra os cortes salariais e os altos impostos.

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O presidente Traian Basescu nomeou rapidamente o ministro da Justiça Catalin Predoiu, o único membro do gabinete que não tem filiação partidária, como premiê interino até que um novo governo seja aprovado. 

Basescu também nomeou Mihai Razvan Ungureanu, o chefe do serviço de inteligência da Romênia, como o novo premiê do país e pediu a ele que formasse um gabinete. O Parlamento deve aprovar Ungureanu e seus ministros em 60 dias, ou ele será dissolvido e novas eleições deverão ser estabelecidas.

Em breve comunicado, Ungureanu, ex-ministro das Relações Exteriores, disse que sua prioridade como primeiro-ministro seria a estabilidade política e econômica da Romênia. Ele é considerado um aliado leal a Basescu.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), que ofereceu um empréstimo emergencial de 20 bilhões de euros (US$ 26 bilhões) à Romênia, sob a condição de que o governo cortasse gastos, informou que a saída de Boc não deverá afetar o acordo.

"Não vejo necessariamente razão para que isso tenha um efeito material sobre o acordo de ajuda. Temos todas as expectativas de que o acordo irá continuar", disse à Reuters o chefe da missão do FMI em Bucareste, Jeffrey Franks.

A Romênia aderiu à União Europeia em 2007 e se comprometeu a adotar o euro como moeda em algum momento no futuro. Segundo país mais pobre do bloco, a Romênia enfrenta o pesado legado econômico do regime comunista que terminou em 1989.

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Nos últimos meses, os primeiros-ministros da Grécia e da Itália caíram por causa da crise econômica, e os partidos que governavam Espanha e Portugal , também mergulhados em problemas com dívidas, não conseguiram novos mandatos nas urnas.

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O partido de Boc, o Democrata-Liberal, de centro-direita, tem menos de 20 por cento de apoio nas pesquisas e governava em coalizão com um partido da minoria húngara e um grupo de independentes.

O líder da opositora aliança de esquerda USL, Victor Ponta, tem mais de 50 por cento de apoio e declarou à Reuters na semana passada que defende a antecipação das eleições e pretende continuar a trabalhar com o FMI.

Com EFE, AFP e AP

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