Premiê rejeita acusações de Erdogan de que Israel explora Holocausto

Benjamin Netanyahu afirmou que declarações dadas pelo primeiro-ministro turco são 'falsas' e 'escandalosas'

iG São Paulo |

AFP
Benjamin Netanyahu em sua última reunião antes de viajar para Nova York (18/9)
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, qualificou de "falsas" e "escandalosas" as declarações do primeiro-ministro turco Recep Tayyp Erdogan, que acusou Israel de explorar o Holocausto para efetuar ações militares contra os palestinos.

Em entrevista concedida à rede CNN, que foi ao ar no sábado, Erdogan disse que o povo de Israel "volta sem parar à questão do genocídio, e ao explorar esse genocídio, age sempre como se fosse vítima permanente".

Erdogan acrescentou que os turcos ou os muçulmanos nunca "exerceram tanta crueldade" em Israel, entretanto, o país é muito cruel nesse sentido. Na opinião do líder turco, Israel "não tem piedade".

Em resposta, Netanyahu afirmou em entrevista que será publicada na quarta-feira pelo jornal Jerusalem Post, cujo conteúdo foi confirmado pelo gabinete do premiê, que as alegações "não têm nada a ver com os fatos". "Lamento escutar esse tipo de declarações por parte do dirigente da Turquia", disse Netanyahu.

"Nós não exploramos o Holocausto, que foi o pior crime perpetrado contra nosso povo", completou. O premiê israelense também acusou a Turquia de "atacar a liberdade de imprensa e prender jornalistas".

Essas são as primeiras críticas feitas pelo chefe de governo israelense a Erdogan desde o início da crise diplomática entre os dois países. Até agora, Netanyahu se absteve de responder diretamente aos ataques do líder turco.

Ancara decidiu recentemente expulsar o embaixador de Israel na Turquia , e congelar as relações militares, outrora muito importantes. Essa foi a forma encontrada pelo governo turco para protestar contra a negativa israelense de apresentar desculpas pelo ataque a uma flotilha turca que, em maio de 2010, tentou romper o bloqueio marítimo à Faixa de Gaza. No ataque, realizado em águas internacionais, morreram nove turcos.

Essa não é a única tensão entre Israel e seus vizinhos, que também encontra suas r elações prejudicadas com o Egito , o que ameaça a estabilidade do Oriente Médio. O problema simultâneo entre o Estado judeu e as duas nações muçulmanas acontecem no mesmo momento em que os palestinos apresentaram na ONU um pedido de reconhecimento .

Nesta segunda, o presidente israelense Shimon Peres afirmou que, apesar dos desentendimentos, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, é o "melhor" líder com o qual seu país pode negociar a paz. "O atual líder dos palestinos é o melhor que poderíamos ter, mesmo quando não concordamos e criticamos suas palavras", afirmou Peres em discurso diante de representantes diplomáticos em sua residência de Jerusalém por ocasião da chegada do ano novo judaico.

Peres manifestou seu "respeito" e "simpatia" por Abbas, que recebeu várias críticas em Israel por seu discurso da sexta nas Nações Unidas, onde pediu que a Palestina fosse admitida como Estado de pleno direito. O presidente de Israel pediu a Abbas que retome de forma "aberta e tranquila" as negociações de paz antes de um mês, como sugeriu o Quarteto - ONU, Rússia, Estados Unidos e União Europeia - em sua declaração no último sábado.

"O Quarteto não tomou partido, apenas nos ofereceu um calendário, que talvez também seja importante para retomar as negociações no próximo mês. Acho que estão dando muita prioridade ao início das negociações, quando o problema é como terminá-las", opinou.

O chefe negociador palestino, Saeb Erekat, anunciou nesta segunda que o Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) estudará na quarta a proposta do Quarteto, após a qual anunciará seu posicionamento, segundo a Agência palestina "Wafa".

Peres e Abbas se reuniram em particular nos últimos meses para tentar retomar as negociações diretas de paz, paralisadas há um ano, em grande parte pela decisão do atual governo israelense de continuar com a ampliação dos assentamentos. Após 20 anos de diálogo de paz, os palestinos exigem um marco de referência claro para negociar, e a paralisação da ampliação das colônias nos territórios ocupados de Jerusalém Oriental e da Cisjordânia.

Peres também criticou novamente o processo de entrada da Palestina como Estado membro de pleno direito na ONU, apresentada por Abbas. "Esse tema não pode ser levado à ONU antes do tempo porque a organização não está em condição de garantir segurança a Israel", argumentou.

Com AP, AFP e EFE

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