Premiê polonês ameaça vetar medidas da UE contra mudança climática

Bruxelas, 15 out (EFE) - O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, ameaçou hoje vetar as medidas contra a mudança climática negociadas pela União Européia (UE) como estão apresentadas hoje, por considerar que prejudicaria a economia polonesa, que gera eletricidade principalmente através do carvão.

EFE |

Ao fim do primeiro dia da cúpula realizada em Bruxelas pelos chefes de Estado e do Governo da UE, Tusk assegurou que a proposta é "perigosa" para seu país.

Cerca de 95% da energia produzida na Polônia procede de centrais térmicas alimentadas por carvão, uma fonte energética que seria afetada pelas medidas negociadas pelo bloco.

Por isso, o Governo de Varsóvia defende que a entrada destas instalações no sistema de leilão de permissões para emitir CO2 proposto por Bruxelas só seja aplicada em parte do setor a partir de 2013 e não a todo, como pede a proposta francesa.

A França propõe que a taxa de leilões no âmbito energético seja, em geral, de 100% a partir de 2013, e só prevê concordar revogações de amplitude e duração limitadas quando forem justificadas por "situações específicas", relacionadas a "uma integração insuficiente no mercado europeu da eletricidade".

Tusk afirmou ainda que a Itália e a República Tcheca estão dispostas a se unir à Polônia e a outros sete países do Leste Europeu (Bulgária, Estônia, Eslováquia, Hungria, Letônia, Lituânia e Romênia) que se opõem às medidas propostas pela Comissão Européia (CE, braço executivo da UE).

Concretamente, pedem ao bloco que considere o impacto econômico da crise financeira e que reduza os objetivos fixados contra a mudança climática.

A falta de apoio destas nações poderia atrasar a adoção do pacote, apesar de a Presidência francesa de turno da UE ter transformado o assunto em uma de suas prioridades e desejar um acordo até o fim do ano.

A Polônia é favorável aos principais objetivos da proposta (reduzir em 20% as emissões de CO2 e impulsionar as energias renováveis para que alcancem 20% do consumo global), mas lembra que o Conselho Europeu concordou, em dezembro de 2007, em aplicar as mudanças de forma "mais flexível, conforme cada país".

Ao fim do primeiro dia da cúpula, a delegação polonesa teve que cancelar a entrevista coletiva de Tusk e improvisar um encontro com a imprensa à saída do edifício do Conselho, onde ocorrem as cúpulas, devido à "incômoda" situação gerada pela presença do presidente polonês, Lech Kaczynski, informaram fontes do Governo.

"Teria sido incômodo colocá-los na mesma mesa, ou que disputassem a cadeira", acrescentaram as mesmas fontes.

Kaczynski, que se dirigiu primeiro à imprensa ao deixar a reunião, assegurou que não tinha havido "nenhum problema".

A Constituição polonesa atribui ao primeiro-ministro e não ao presidente a máxima autoridade em assuntos de política externa, mas, mesmo assim, Kaczynski decidiu ir por conta própria e sem credenciamento ao Conselho Europeu. EFE rja/db

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