Premiê: Noruega se defenderá de ataques com 'mais democracia'

Stoltenberg defende liberdade de expressão, mas diz que não é legítimo tentar implementar visão extremista usando violência

iG São Paulo |

O primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, afirmou nesta quarta-feira que o massacre que deixou ao menos 76 mortos no país não vai intimidar a população, que responderá com "mais democracia".

Em entrevista coletiva, Stoltenberg afirmou que os noruegueses vão se defender mostrando que não temem a violência e sendo mais participativos politicamente. "É completamente possível ter uma sociedade aberta, democrática e inclusiva e ao mesmo tempo com medidas de segurança e sem ingenuidade", afirmou.

Reuters
Premiê norueguês Jens Stoltenberg concede entrevista coletiva em Oslo

O premiê defendeu a liberdade de expressão mesmo que ela inclua ideias extremistas como as de Anders Behring Breivik , acusado pelo massacre de sexta-feira. "É totalmente legal e legítimo ter visões ou opiniões extremistas. O que não é legítimo é tentar implementar essas visões extremistas usando a violência", afirmou.

"Acho que temos uma Noruega antes e outra Noruega depois dos ataques de 22 de julho", disse Stoltenberg. "Mas espero e acredito que essa Noruega depois dos ataques seja uma sociedade mais aberta e tolerante do que a de antes."

Stoltenberg também anunciou a formação de uma comissão independente , aprovada por todos os partidos políticos, que analisará tudo o que aconteceu na sexta-feira, incluindo a reação da polícia. "Precisamos aprender lições", afirmou.

O premiê, porém, afirmou que é muito cedo para considerar a criação de novas leis de segurança. "Agora é hora de confortar aqueles que perderam familiares e amigos e de ajudar aqueles que ainda estão feridos", afirmou. "Depois, principalmente após a investigação ser concluída, será o momento de rever todas as experiências, aprender com o que aconteceu e tirar conclusões quanto às medidas de segurança".

Serviço de inteligência

Também nesta quarta-feira, a chefe do serviço interno de inteligência da Noruega, Janne Kristiansen, disse à BBC que não há qualquer prova de que Anders Behring Breivik tenha ligações com extremistas de direita no país ou em qualquer outro lugar.

"Não temos indicações de que ele tenha sido parte de um movimento mais amplo, ou que tenha agido em conexão com outras células, ou que haja outras células", disse Kristiansen.

Entretanto, ela disse que os serviços de inteligência noruegueses continuam investigando possíveis conexões de Breivik. "Não acho que haja limites para o mal na mente dessa pessoa. Não podemos correr nenhum risco."

Breivik, que assumiu a autoria dos ataques, contou ao seu advogado que integrava uma rede anti-islâmica que tem duas células na Noruega e várias no exterior. O atirador havia alegado inclusive que tinha contatos no Reino Unido.

Mas Kristiansen lançou dúvidas sobre estas afirmações, assim como as afirmações do advogado de Breivik, Geir Lippestad, que disse acreditar que seu cliente seja "insano" .

Na terça-feira, o advogado falou à imprensa em Oslo. Ele disse que seu cliente pediu desculpas pelos ataques, mas considerava a violência "necessária" para iniciar uma guerra no mundo ocidental.

Ainda na terça-feira, a polícia norueguesa disse ter detonado explosivos encontrados na fazenda que Breivik alugava ao norte de Oslo. As autoridades acreditam que Breivik produziu sua bomba usando fertilizantes de um carregamento comprado sob pretexto de servir para fins agrícolas.

As autoridades não informaram a quantidade de explosivos detonada nem a sua composição. Em um manifesto na internet atribuído a Breivik, ele diz que alugou uma fazenda e montou um negócio de fachada para encomendar 6 toneladas de fertilizantes, usados na explosão em Oslo.

Com AP e BBC

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