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Premiê libanês promete enfrentar golpe do Hezbollah

Por Khaled Yacoub Oweis BEIRUTE (Reuters) - O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, apoiado pelos Estados Unidos, disse neste sábado que o país não cairá nas mãos do grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã. Siniora acusou o Hezbollah de desencadear um golpe para tomar o controle de Beirute.

Reuters |

'O Estado de vocês não passará ao controle dos golpistas', disse Siniora em um discurso televisionado para o Líbano. Essa foi sua primeira resposta desde que na sexta-feira o Hezbollah e combatentes aliados expulsaram forças pró-governo do oeste de Beirute.

O controle assumido pelo Hezbollah -- que representou um golpe para a política dos EUA -- deixou o governo de Siniora em situação precária e fortaleceu a posição do Hezbollah como o grupo mais poderoso no Líbano depois de 17 meses de luta de poder com a coalizão governamental.

Siniora reiterou uma proposta rejeitada anteriormente pelo Hezbollah para a solução da crise, que se transformou no pior conflito interno desde a guerra civil (1975-1990). Pelo menos 25 pessoas foram mortas e 60 feridas.

Siniora disse que Beirute foi 'sitiada' e 'ocupada'. 'O que os Hezbollah está fazendo nas ruas de Beirute?', disse ele.

Cinco combatentes morreram em confrontos neste sábado no leste de Beirute e no norte do Líbano. Outras duas pessoas foram mortas na capital quando houve disparos contra um funeral de um partidário do governo.

Os EUA -- que consideram o Hezbollah um grupo terrorista, ameaça para Israel e um instrumento do Irã -- anunciaram que estão mantendo conversações com outras potências sobre adoção de medidas contra 'aqueles que forem responsáveis pela violência'.

Nas ruas de Beirute, combatentes do grupo -- apoiado pelo Irã e pela Síria -- continuaram a manter postos de controle nas principais vias, embora seu número seja menor do que no dia anterior.

Havia poucos veículos transitando pela cidade já que muitos moradores ficaram em casa. O aeroporto internacional de Beirute permaneceu fechado.

Algumas lojas reabriram depois que o Exército se posicionou em várias áreas, sem interferir com as guerrilhas do Hezbollah, que por sua vez ficaram longe das principais instalações do governo em Beirute.

O Hezbollah assumiu na sexta-feira o controle da parte muçulmana de Beirute, no oeste da cidade, em uma ação que o governo e seus aliados descreveram como 'golpe armado e sangrento'.

Os EUA afirmaram estar 'muito perturbados' pelas ações do Hezbollah em Beirute e criticaram as ligações do grupo com Damasco e Teerã.

Os bairros cristãos no leste de Beirute foram poupados da luta depois que o Hezbollah derrotou as forças leais ao líder da maioria parlamentar, o sunita Saad al-Hariri. Os partidários de Hariri ainda controlam áreas no norte do país e mantêm o controle de uma importante área de passagem para a Síria, no Vale do Bekaa.

Hariri é filho do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, cujo assassinato três anos atrás deu início aos piores distúrbios no país desde a guerra civil de 1975-1990, durante a qual Beirute ficou dividida entre o leste cristão e partes muçulmanas no oeste.

A demonstração de força do grupo xiita Hezbollah preocupa o Ocidente e seus aliados árabes sunitas, que temem a crescente influência do Irã -- país majoritariamente xiita -- na região.

O conflito começou depois que o governo libanês anunciou que estava adotando medidas legais contra a rede de comunicações militares do Hezbollah, por considerá-la ilegal. O Hezbollah afirmou que essa medida era uma declaração de guerra.

(Reportagem adicional de Nadim Ladki, Laila Bassam e Tom Perry; Edição de Samia Nakhoul)

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