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Premiê libanês diz temer risco de nova guerra contra Israel

O primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, acusou Israel de ameaçar a paz no Oriente Médio e disse que, se for preciso, seu governo lutará ao lado do grupo militante xiita Hezbollah para se defender dos vizinhos.

BBC Brasil |

 

"Dia sim, dia não, nós ouvimos muitas ameaças israelenses. E não são só ameaças. Nós vemos o que está acontecendo constantemente no solo e no nosso espaço aéreo ao longo dos últimos dois meses: todo dia nós temos um avião de guerra israelense entrando no nosso espaço aéreo", declarou Hariri em entrevista à BBC.

"Isso é algo que está se agravando, e isso é algo realmente perigoso", avisou o premiê, dizendo que teme uma nova guerra com o país vizinho.

O líder libanês foi além, dizendo que em caso de guerra contra Israel, seu país permanecerá unido para se defender, inclusive ao lado do grupo militante Hezbollah. Em 2006, os militantes enfrentaram Israel em uma guerra de 34 dias que matou mais de mil pessoas.

"Eu acho que eles estão apostando que haverá alguma divisão no Líbano, se houver uma guerra contra a gente. Bem, não haverá uma divisão no Líbano", afirmou Hariri.

As declarações de Hariri vieram dias depois dos ministros das Relações Exteriores da Síria e de Israel trocarem acusações agressivas, o que gerou apreensão sobre a possibilidade de uma nova guerra no Oriente Médio.

A correspondente da BBC em Beirute, Natalia Antelava, disse que esse tipo de retórica é comum na região, mas que há sim o temor de que, dessa vez, ela possa levar a um conflito mais sério.

Israel x Síria

Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, ameaçou "trucidar" o Exército da Síria e derrubar o presidente do país, Bashar al-Assad, no caso de uma guerra entre os dois países.

"Você e sua família perderão o poder", afirmou Lieberman, acrescentando ainda que a Síria deveria abandonar seus sonhos de recuperar a região das Colinas do Golan, ocupadas por Israel.

A escalada verbal entre os dois países começou dias antes, quando o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que, se não houver um acordo de paz com a Síria, "poderá haver uma guerra generalizada".

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid Moallem, declarou que os israelenses devem parar de se comportar como "bandidos" e afirmou que "os israelenses sabem que a próxima guerra pode atingir suas cidades".

O ministro sírio também disse que Israel "está plantando as sementes de um clima de guerra, ameaçando atacar o Irã, o Líbano e a Faixa de Gaza".

Em 2006, um conflito de Israel com o Hezbollah durou 34 dias, causando a morte de mais de mil pessoas, principalmente civis libaneses.

A guerra começou depois do sequestro de dois soldados israelenses pelo Hezbollah na fronteira.

Como resposta, Israel invadiu o sul do Líbano e lançou um bombardeio contra o país vizinho, destruindo, por exemplo, o aeroporto internacional de em Beirute.

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