Premiê japonês quer antecipar eleição apesar de provável derrota

Por Chisa Fujioka e Yoko Kubota TÓQUIO (Reuters) - O primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, disse na segunda-feira que planeja convocar uma eleição geral para 30 de agosto, apesar do prognóstico de que seu partido seja derrotado nas urnas após um longo período no governo.

Reuters |

Uma vitória do Partido Democrático na eleição nacional colocará fim a meio século de governo quase ininterrupto do Partido Liberal Democrata e pode criar a chance de resolver um impasse político num momento em que o Japão busca se recuperar de sua pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial.

A decisão de convocar eleições, que têm obrigatoriamente de ser realizadas até outubro, vem depois de uma derrota esmagadora sofrida pelo impopular partido de Aso na eleição em Tóquio no domingo, vista como termômetro para o pleito nacional.

"Ninguém nunca sabe o que vai acontecer até uma eleição", disse Aso a jornalistas. "Dessa vez não é uma exceção, temos que lutar mesmo numa situação difícil."

A câmara baixa do Parlamento deve ser dissolvida na semana que vem para abrir caminho para a eleição. Disse Hiroyuki Hosoda, secretário-geral do PLD de Aso, a jornalistas.

As movimentações dentro do PLD para substituir Aso devem aumentar, após a legenda e o partido que a acompanha na coalizão perderam a maioria na assembleia de Tóquio, e alguns críticos de Aso se recusavam a desistir.

"Antes da eleição, temos que escolher um novo lançador (do beisebol), anunciar políticas de forma apropriada e depois buscar o mandato do povo", disse o ex-secretário-geral do PLD Tsutomo Takebe a um programa de TV.

Mas o Japão viu quatro líderes do PLD nos últimos quatro anos, e uma pesquisa feita pelo canal de TV pública NHK mostrou que a maioria dos japoneses não mostra simpatia por uma nova mudança.

Em meio à crescente incerteza política, o índice Nikkei da bolsa de Tóquio caiu 2,6 por cento, seu pior fechamento em oito semanas.

Alguns especialistas do mercado financeiro ficaram frustrados, pois preferiam que a eleição fosse realizada antes do que está sendo proposto. "O mercado começou a considerar uma mudança de governo, mas quanto maior a espera, mais as incertezas políticas e econômica crescem", disse Susumu Kato, economista-chefe da Calyon Capital Markets Japan.

O Partido Democrático, na tentativa de tirar vantagem dos problemas do PLD, promoveu uma moção de desconfiança contra o gabinete de Aso na câmara baixa- que deve ser rejeitada -e uma constrangedora, mas sem consequências obrigatórias, moção de censura na câmara alta.

A oposição, no entanto, pode passar a ter uma dor de cabeça própria com que se preocupar. O líder do partido, Yukio Hatoyama, teve que pedir desculpas pelo fato de algumas pessoas que estão em sua lista de doadores políticos estarem mortas.

Hatoyama assumiu a liderança do partido em maio, depois que seu antecessor deixou o posto para evitar que outro escândalo de levantamento de recursos financeiros prejudicasse as chances da legenda nas eleições.

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