Premiê japonês marcará eleições após derrota em Tóquio, diz imprensa

Tóquio, 13 jul (EFE).- O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, convocará eleições gerais para 30 de agosto, revelou hoje a imprensa japonesa, após perder o controle da Assembleia de Tóquio no pleito locais em favor do partido de oposição.

EFE |

Segundo fontes do governante Partido Liberal-Democrata (PLD), Aso decidiu hoje, durante uma reunião de emergência com os líderes da coalizão governante, a convocação de eleições antes do fim do mandato, em meados de setembro.

A derrota do PLD nas eleições locais para a Assembleia de Tóquio, nas quais perdeu dez das 48 cadeiras que conseguiu no anterior pleito a favor do opositor Partido Democrático (PD), precipitou os debates internos para convocar às urnas.

Os baixos índices de popularidade de Aso e a pior crise econômica do pós-guerra aumentaram as dúvidas sobre a reeleição do PLD à frente do Executivo, após liderar o país durante mais de meio século.

Aso, que se tornou primeiro-ministro em setembro do ano passado, após a renúncia de Yasuo Fukuda, tomou as rédeas de um partido com disputas internas e cada vez menos popular entre os eleitores, a que se uniu a crise econômica que levou o Japão novamente à recessão.

O primeiro-ministro baseou seu programa nas medidas de emergência para sair da crise, o que justificou sua permanência à frente do Executivo, apesar dos contínuos pedidos da oposição para antecipar a convocação de eleições.

Aso disse hoje que, após aprovadas as leis pendentes antes do período de férias do Parlamento, dissolverá a Câmara Baixa durante na próxima semana para realizar as eleições em 30 de agosto, segundo a agência "Kyodo".

A maioria dos analistas políticos japoneses dava por certo que Aso dissolveria a Câmara Baixa imediatamente depois da derrota em Tóquio, para realizar eleições em 8 de agosto.

No entanto, por fim acabou cedendo às pressões da coalizão governante, formada pelo PLD e pelo Novo Komeito, que lhe pediram mais calma.

"Não posso negar que os problemas no PLD tiveram impacto negativo nas eleições em Tóquio. Por isso, peço desculpas como presidente do partido", reconheceu hoje Aso perante os membros de seu partido, segundo fontes consultadas pela "Kyodo".

Além disso, o fato de o opositor Partido Democrático (PD) ter a maioria na Câmara Alta da Dieta (Parlamento japonês) foi um empecilho constante para os planos legislativos de Aso, que hoje mesmo enfrentou uma moção de censura e outra de confiança contra lideradas pelo PD, junto com outros três partidos de oposição.

Ambas devem ser rejeitadas esta semana pela maioria do PLD na Câmara Baixa.

O PD também teve que lidar com escândalos e disputas internas, após a renúncia do presidente do partido, Ichiro Ozawa, devido a um caso de financiamento ilegal, após a qual Yukio Hatoyama foi eleito líder do partido.

Se a reviravolta eleitoral de Tóquio se repetir nas gerais e Hatoyama chegar ao poder, será a primeira vez que isso acontece em mais de meio século, com exceção da sucessão de Governos de outras forças políticas entre 1993 e 1996.

Após esclarecidas as dúvidas sobre a convocação de eleições, as perguntas se concentram na possibilidade de Aso se apresentar como candidato a primeiro-ministro ou se, pelo contrário, deixará o posto a favor de um novo político com melhor imagem pública.

Em um país onde a participação é tradicionalmente baixa, a chave nas próximas eleições pode ser a mobilização do eleitorado jovem, mais inclinado à mudança e insatisfeito com as condições trabalhistas e da economia em geral.

Segundo uma pesquisa da rede de televisão JNN, realizada neste fim de semana, 77,3% dos cidadãos não apoiam Aso, enquanto 44% acham que o melhor candidato para primeiro-ministro é o líder opositor Hatoyama, um índice que é o dobro comparado ao de Aso. EFE jmr/an

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