Premiê japonês dá passo para convocar eleição; oposição tem chance histórica

Patricia Souza. Tóquio, 21 jul (EFE).- O primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, dissolveu hoje a Câmara Baixa, com vistas às eleições de 30 de agosto, nas quais seu partido, o liberal-democrata (PLD), parece que sofrerá uma derrota histórica após meio século no poder.

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As pesquisas indicam que Aso, de 68 anos e à frente do Governo desde setembro, levará o PLD a um fiasco no pleito, apenas quatro anos depois de o último premiê japonês com carisma, Junichiro Koizumi, ter obtido uma vitória esmagadora nas eleições passadas.

Quase 50% dos eleitores japoneses, segundo uma pesquisa da agência "Kyodo", apoiam o líder da oposição, Yukio Hatoyama, que terá uma oportunidade histórica de acabar com a hegemonia do PLD no Executivo, à frente do qual está há praticamente 54 anos.

Os liberais-democratas governam o Japão desde 1955 - salvo no período inferior a um ano entre 1993 e 1994. Portanto, Hatoyama fará história se, como apontam as pesquisas, vencer a eleições e terminar o mandato.

O líder da oposição, que já tem o controle do Senado, disse hoje que ele, seus correligionários e eleitores estão "decididos a encarar o pleito como uma missão histórica", cujo objetivo é "acabar com a política dos burocratas".

O curto mandato do atual premiê japonês ficou marcado pela impopularidade - o apoio da população chegou a cair para 11% -, pelos vários tropeços verbais e pela grave recessão que a segunda maior economia do mundo enfrenta.

Legisladores do próprio PLD criticaram abertamente a figura de Aso e pediram que, antes mesmo das eleições gerais, ele seja substituído como líder da legenda, para evitar uma derrota ainda mais constrangedora.

Hoje mesmo, após dissolver a Câmara Baixa, o chefe do Governo pediu perdão ao povo japonês pelas "desconfianças" geradas por suas "palavras inadequadas", em alusão aos vários comentários infelizes sobre temas sensíveis.

Aso admitiu ainda que "a eleição será difícil" para o PLD e justificou a decisão de adiar a convocação das eleições. Segundo o premiê, foi o compromisso de tirar o Japão da recessão econômica que o fez ignorar os vários pedidos para que o pleito fosse antecipado.

Aso assumiu a chefia do Executivo em 24 de setembro de 2008. Ele foi o terceiro premiê consecutivo a ser eleito por seus correligionários numa eleição indireta.

Graças ao desempenho nas eleições de 2005, o PLD tem atualmente 303 dos 480 cadeiras da Câmara Baixa. Mas, após a aliança com o partido budista Novo Komeito, a legenda passou a ter a maioria na casa (334 assentos).

O Senado, no entanto, é controlado desde julho de 2007 pelo opositor Partido Democrático, que 118 cadeiras, contra 102 da coalizão governista.

Nesta terça-feira, o processo de dissolução da Câmara Baixa foi marcado pelo tom solene, tão caro à política japonesa, assim como as disputas internas entre várias alas de um mesmo partido.

Durante uma curta sessão plenária, o presidente da Câmara Baixa, Yohei Kono, leu a ordem do imperador Akihito para a casa fosse dissolvida. O édito foi recebido com gritos de "Banzai!" ("Viva!") pelos deputados.

Em seguida, o gabinete de Governo anunciou seu apoio à realização de em 30 de agosto. Concluídas as formalidades, o Japão agora aguarda o começo da campanha, previsto para o dia 18 do mesmo mês, segundo a "Kyodo".

As próximas eleições gerais no Japão serão as primeiras realizadas em agosto desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

EFE psh/sc

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